so when the policeman asked
to see his driver’s license, he said
Does the wind need permission
from the hedgehog to blow?
which resulted in a search of the car,
which miraculously yielded nothing
since Fred had swallowed all the mescaline already
and was just beginning to fall in love
with the bushy caterpillar eyebrows
of the officer in question.
In those days we could identify
the fingerprints on a guitar string
by the third note of the song
broadcast from the window of a passing car,
but we couldn’t tell the difference
between a personal disaster
and “having an experience,”
so Fred thought being locked up for the night
was kind of fun,
with the graffiti on the drunk-tank wall
chattering in Mandarin
and the sentient cockroaches coming out to visit
in triplicate.
Back then it wasn’t a question of pleasure or pain,
it wasn’t a question of getting to the top
then trying not to fall at any cost.
It was a question of staying tuned in,
one episode at a time,
said Fred to himself
as he walked home the next morning
under the spreading lotus trees on Walnut Street
feeling Oriental.
Tony Hoagland, Donkey Gospel
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Eu sei, mas nao devia.
por Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
the call of the wild
“There is an ecstasy that marks the summit of life, and beyond which life cannot rise. And such is the paradox of living, this ecstasy comes when one is most alive, and it comes as a complete forgetfulness that one is alive.
This ecstasy, this forgetfulness of living, comes to the artist, caught up and out of himself in a sheet of flame; it comes to the soldier, war-mad in a stricken field and refusing quarter."
Jack London
This ecstasy, this forgetfulness of living, comes to the artist, caught up and out of himself in a sheet of flame; it comes to the soldier, war-mad in a stricken field and refusing quarter."
Jack London
quarta-feira, 27 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldades se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia. Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que nada é para sempre."
segunda-feira, 11 de julho de 2011
carta desesperada
Como é difícil, como é difícil, Beatriz, escrever uma carta...
Antes escrever os Lusíadas!
Com uma carta pode acontecer
Que qualquer mentira venha a ser verdade...
Olha! O melhor é te descrever, simplesmente,
A paisagem,
Descrever sem nenhuma imagem, nenhuma...
Cada coisa é ela própria a sua maravilhosa imagem!
Agora mesmo parou de chover.
Não passa ninguém. Apenas
Um gato
Atravessa a rua
Como nos tempos quase imemoriais
Do cinema silencioso...
Sabes, Beatriz? Eu vou morrer!Mário Quintana
sexta-feira, 8 de julho de 2011
love is a form of prejudice - by charles bukowski
love is a form of prejudice. you love what you need, you love what makes you feel good, you love what is convenient. how can you say you love one person when there are ten thousand people in the world that you would love more if you ever met them? but you’ll never meet them. all right, so we do the best we can. ragnted. but we must still realize that love is just the result of a chance encounter. most people make too much of it. on these grounds a good fuck is not to be entirely scorned. but that’s the result of a chance meeting too. you’re damned right. drink up. we’ll have another.
sábado, 4 de junho de 2011
answers that never arrive
I sit by the window and listen to the rain
come down
and I think about why we
do these things
we sit with our elbows on these
brick walls,
talking
bickering
lamenting the passing of our youth,
and what it means to be
young.
we write letters to Santa Claus
tell him about how
we’ve been good
we should get presents
waiting for answers that never arrive.
we spend our days and nights
drinking
screwing
screaming our heads off
and all it ever really does
is make my stomach
hurt
BUKOWSKI
quinta-feira, 2 de junho de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
o amor e o bilhete unico
O normal em SP é o amor baldeado que começa no Paraíso e acaba na Consolação. Às vezes, porém, ele faz o caminho de volta, como se o coração não pudesse perder a validade do Bilhete Único.
xico sá
xico sá
quinta-feira, 5 de maio de 2011
where do ideas come from?
- Ideas don’t come from watching television
- Ideas sometimes come from listening to a lecture
- Ideas often come while reading a book
- Good ideas come from bad ideas, but only if there are enough of them
- Ideas hate conference rooms, particularly conference rooms where there is a history of criticism, personal attacks or boredom
- Ideas occur when dissimilar universes collide
- Ideas often strive to meet expectations. If people expect them to appear, they do
- Ideas fear experts, but they adore beginner’s mind. A little awareness is a good thing
- Ideas come in spurts, until you get frightened. Willie Nelson wrote three of his biggest hits in one week
- Ideas come from trouble
- Ideas come from our ego, and they do their best when they’re generous and selfless
- Ideas come from nature
- Sometimes ideas come from fear (usually in movies) but often they come from confidence
- Useful ideas come from being awake, alert enough to actually notice
- Though sometimes ideas sneak in when we’re asleep and too numb to be afraid
- Ideas come out of the corner of the eye, or in the shower, when we’re not trying
- Mediocre ideas enjoy copying what happens to be working right this minute
- Bigger ideas leapfrog the mediocre ones
- Ideas don’t need a passport, and often cross borders (of all kinds) with impunity
- An idea must come from somewhere, because if it merely stays where it is and doesn’t join us here, it’s hidden. And hidden ideas don’t ship, have no influence, no intersection with the market. They die, alone.
Seth Godim
domingo, 24 de abril de 2011
Se algo belo devesse permanecer igual por toda a eternidade, isto me alegraria, mas eu conjectuaria com frieza: poderia sempre ver isto, não precisaria ser hoje. ao contrário, o que é perecível e não pode permanecer igual, ao contemplá-lo não sinto apenas alegria, mas também compaixão.
De Knulp, Hermann Hesse.
domingo, 10 de abril de 2011
"Passei por muita coisa na vida e agora penso que encontrei o que é necessário para a felicidade. Uma vida tranquila e isolada no campo, com a possibilidade de ser útil à gente para quem é fácil fazer o bem e que não está acostumada que o façam; depois trabalhar em algo que se espera ter alguma utilidade; depois descanso, natureza, livros, música, amor pelo próximo - essa é a minha idéia de felicidade. E depois, no topo de tudo isso, você como companheira, e filhos talvez - o que mais pode o coração de um homem desejar?"
Leon Tolstoi
domingo, 20 de fevereiro de 2011
memórias postumas
Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
about our lives
"I used to think she was quite intelligent , in my stupidity. The reason I did was because she knew quite a lot about the theater and plays and literature and all that stuff. If somebody knows quite a lot about all those things, it takes you quite a while to find out whether they're really stupid or not."
salinger
"Anyway, I keep picturing all these little kids playing some game in this big field of rye and all. Thousands of little kids, and nobody's around - nobody big, I mean - except me. And I'm standing on the edge of some crazy cliff. What I have to do, I have to catch everybody if they start to go over the cliff - I mean if they're running and they don't look where they're going I have to come out from somewhere and catch them. That's all I do all day. I'd just be the catcher in the rye and all. I know it's crazy, but that's the only thing I'd really like to be."
domingo, 19 de dezembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
anote
Your heart is like a flower as it grows,
And its the rain, not just the sun that helps it bloom.
And you don't know how it feels to be alive, until you know how it feels to die.
Take care.
With luv,
Take care.
With luv,
me
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