domingo, 26 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
meio-dia
No caminho pro trabalho, sempre passo por uma rua deserta; paralelepipedos soltos e cheiro de mijo perto de cada poste. As paredes pichadas e ao fundo crianças jogando futebol embaixo do sol escaldante do meio dia. Horário ingrato.
Jogo meu cigarro sempre uns três passos antes da calçada e, como se fosse um ritual, atravesso a rua em diagonal pra não atrapalhar o jogo dos pobres menino descalços no único pedaço de asfalto das redondezas.
Na calçada, há meses, um senhor coloca cimento fresco, do qual tenho que desviar todos os dias. Ele me olha, não nos cumprimentamos, por mais que nos conheçamos mais que ele a mulher e eu aos meus amigos.
Ele finge não rir toda vez que eu tropeço ao desviar do material de construção, eu finjo que não vou ter uma velhice medíocre como a dele, onde minha maior diversão vai ser observar jovens indo trabalhar embaixo de sol enquanto eu faço cimento pra nada.
Passo pela igreja, cada dia um casal diferente, limpo os óculos e tento ver as horas no relógio, em vão, todos os dias.
A praça infestada de pombos e cachorros e mendigos e eu não olho pros lados pra não correr o risco de ser atingida por um cumprimento torto de olhos fechados pelo sol forte do dia sem sombras.
Vem vindo chuva ao longe, mas ninguém percebe, e enquanto eu corro pra não me atrasar ainda mais, a vida segue na praça e os mendigos dividem comida com os cães e os pombos e pessoas enfrentam filas do banco e existem famílias inteiras almoçando hot-dogs na calçada cheia de amoras afinal a primavera está chegando e a vida continua.
Jogo meu cigarro sempre uns três passos antes da calçada e, como se fosse um ritual, atravesso a rua em diagonal pra não atrapalhar o jogo dos pobres menino descalços no único pedaço de asfalto das redondezas.
Na calçada, há meses, um senhor coloca cimento fresco, do qual tenho que desviar todos os dias. Ele me olha, não nos cumprimentamos, por mais que nos conheçamos mais que ele a mulher e eu aos meus amigos.
Ele finge não rir toda vez que eu tropeço ao desviar do material de construção, eu finjo que não vou ter uma velhice medíocre como a dele, onde minha maior diversão vai ser observar jovens indo trabalhar embaixo de sol enquanto eu faço cimento pra nada.
Passo pela igreja, cada dia um casal diferente, limpo os óculos e tento ver as horas no relógio, em vão, todos os dias.
A praça infestada de pombos e cachorros e mendigos e eu não olho pros lados pra não correr o risco de ser atingida por um cumprimento torto de olhos fechados pelo sol forte do dia sem sombras.
Vem vindo chuva ao longe, mas ninguém percebe, e enquanto eu corro pra não me atrasar ainda mais, a vida segue na praça e os mendigos dividem comida com os cães e os pombos e pessoas enfrentam filas do banco e existem famílias inteiras almoçando hot-dogs na calçada cheia de amoras afinal a primavera está chegando e a vida continua.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Awake my soul
How fickle my heart and
How woozy my eyes
I struggle to find any
Truth in your lies
And now my heart stumbles
On things I don’t know
My weakness I feel
I must a finally show
Lend me your hand and
We’ll conquer them all
But lend me your heart
And I’ll just let you fall
Lend me your eyes
I can change what you see
But you soul you must keep
Totally free
In these bodies we will live
In these bodies we will die
Where you invest your love,
You invest your life
mumford&sons
terça-feira, 14 de setembro de 2010
winter winds
And my head told my heart
"Let love grow"
But my heart told my head
"This time no"
Yes, my heart told my head
"This time no
This time no"
liar
And you lean in for your last kiss,
Who in this world can ask me to resist?
Your hands cold as they find my neck,
Oh this love I have found, I detest
Who in this world can ask me to resist?
Your hands cold as they find my neck,
Oh this love I have found, I detest
after the storm
And there will come a time, you'll see, with no more tears.
And love will not break your heart, but dismiss your fears.
Get over your hill and see what you find there,
With grace in your heart and flowers in your hair.
And love will not break your heart, but dismiss your fears.
Get over your hill and see what you find there,
With grace in your heart and flowers in your hair.
rain on me
But plant your hope with good seeds
Don't cover yourself with thistle and weeds
Rain down, rain down on me
Look over your hills and be still
The sky above us shoots to kill
Rain down, rain down on me.
Don't cover yourself with thistle and weeds
Rain down, rain down on me
Look over your hills and be still
The sky above us shoots to kill
Rain down, rain down on me.
domingo, 12 de setembro de 2010
ultimo
Eu não queria sair de casa, mas me ligaram e eu quase nunca recuso convites que envolvem cerveja em noite de sábado.
Me apressavam como sempre. e eu estava com problemas - profissionais e pessoais.
Tinha acabado de abandonar mais um amor da minha vida... e eu não tinha nem 19 anos completos.
Eu comi um pedaço de torta de morango, depois de chegar acabada do trabalho.
Coloquei meu ultimo cigarro no bolso da minha camisa de flanela, e sai de casa como se fosse dona do mundo, lamentando por tudo e por todos e pedindo paz de espirito.
Entrei no carro, não falei com ninguem. E acreditava tanto no mundo, que abandonei meu isqueiro em casa.
No caminho eu almejava uma cerveja e rezava pra que ninguém mais entrasse no carro. Conferia o tempo todo se meu cigarro estava vivo, enquanto meus pais falavam sobre as mulheres velhas que faziam cirurgia plástica e começavam a usar micro vestidos.
A lua sorria, a noite corria, minhas costas estavam insuportáveis, e eu pedi pra descer um ponto antes do esperado.
Sai andando, com meu tenis e seus buracos, fazendo cara de poucos amigos pra não ter que cumprimentar ninguém. Eu só queria chegar logo, abrir uma latinha e fumar meu ultimo cigarro.
Cheguei, bati no portão, alguém apareceu no muro pra conferir quem eu era.
Entrei, cumprimentei as pessoas, abri a geladeira e tomei uma latinha.
Coloquei a mão no bolso da camisa..
Ali jazia um cigarro, e em meio ao tabaco abandonado no bolso, chorei por todos os corações partidos no mundo.
Me apressavam como sempre. e eu estava com problemas - profissionais e pessoais.
Tinha acabado de abandonar mais um amor da minha vida... e eu não tinha nem 19 anos completos.
Eu comi um pedaço de torta de morango, depois de chegar acabada do trabalho.
Coloquei meu ultimo cigarro no bolso da minha camisa de flanela, e sai de casa como se fosse dona do mundo, lamentando por tudo e por todos e pedindo paz de espirito.
Entrei no carro, não falei com ninguem. E acreditava tanto no mundo, que abandonei meu isqueiro em casa.
No caminho eu almejava uma cerveja e rezava pra que ninguém mais entrasse no carro. Conferia o tempo todo se meu cigarro estava vivo, enquanto meus pais falavam sobre as mulheres velhas que faziam cirurgia plástica e começavam a usar micro vestidos.
A lua sorria, a noite corria, minhas costas estavam insuportáveis, e eu pedi pra descer um ponto antes do esperado.
Sai andando, com meu tenis e seus buracos, fazendo cara de poucos amigos pra não ter que cumprimentar ninguém. Eu só queria chegar logo, abrir uma latinha e fumar meu ultimo cigarro.
Cheguei, bati no portão, alguém apareceu no muro pra conferir quem eu era.
Entrei, cumprimentei as pessoas, abri a geladeira e tomei uma latinha.
Coloquei a mão no bolso da camisa..
Ali jazia um cigarro, e em meio ao tabaco abandonado no bolso, chorei por todos os corações partidos no mundo.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
velha demais pra paixões
Meus amores costumavam durar mais.
Lembro que chegavam a durar anos; me maltratar por períodos infindáveis e depois cuspir tudo na minha cara pra eu cuspir na cara de alguém.
Eu acreditei em amor à primeira vista uma vez, e na segunda, não durou nem um mês.
Agora surgem amores novos toda a semana, e os antigos morrem e renascem numa sequência tão frenética que parece que um pedaço meu sempre vai ficando pelo caminho.
Não sei mais no que acreditar - eu tô velha demais pra paixões.
Eu quero chegar a noite em casa, ter uma cerveja, ler um pouco de bukowski e ir dormir embriagada. Acordar, esquecer que existe vida antes ou depois, e viver.
Quem disse que a gente precisa de um amor pra ser feliz? Eu sei quem foi, mas não quero acreditar.
Eu só preciso de uns poucos amigos e ter alguém com quem conversar quando a madrugada rompe e todos os meus fantasmas me atacam.
Mas sempre falta alguma coisa... a gente nunca ta satisfeito.
E sempre vem o amor nos dilacerar de novo.
Lembro que chegavam a durar anos; me maltratar por períodos infindáveis e depois cuspir tudo na minha cara pra eu cuspir na cara de alguém.
Eu acreditei em amor à primeira vista uma vez, e na segunda, não durou nem um mês.
Agora surgem amores novos toda a semana, e os antigos morrem e renascem numa sequência tão frenética que parece que um pedaço meu sempre vai ficando pelo caminho.
Não sei mais no que acreditar - eu tô velha demais pra paixões.
Eu quero chegar a noite em casa, ter uma cerveja, ler um pouco de bukowski e ir dormir embriagada. Acordar, esquecer que existe vida antes ou depois, e viver.
Quem disse que a gente precisa de um amor pra ser feliz? Eu sei quem foi, mas não quero acreditar.
Eu só preciso de uns poucos amigos e ter alguém com quem conversar quando a madrugada rompe e todos os meus fantasmas me atacam.
Mas sempre falta alguma coisa... a gente nunca ta satisfeito.
E sempre vem o amor nos dilacerar de novo.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
verdade
"Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas. Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem. Ou: que se há de fazer."
caiof.
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