terça-feira, 25 de setembro de 2012

Bukowski on love

"Love is kind of like when you see a fog in the morning, when you wake up before the sun comes out. It’s just a little while, and then it burns away… Love is a fog that burns with the first daylight of reality.”

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O problema é que a gente passa tempo demais fazendo coisas inúteis.A gente esquece que a vida é muito mais viver que sonhar.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

se ian curtis morasse em são paulo.

Junho começou chuvoso e eu já estava sentindo falta das tarde nos bares, das mesas na rua, da cerveja gelada no copo mais gelado ainda em meio à paulicéia desvairada correndo sem parar ao redor.
Fazia tempo que os meus vestidos estavam guardados esperando o proximo verão que, também chuvoso, ao menos tinha um solzinho pra esquentar.
Caia um pé d'água tremendo no centro da cidade e os metrôs estavam vazios. Era domingo de manhã, a padaria mais famosa do bairro estava abarrotada de gente pra comprar um pãozinho, enquanto o boteco já tava aberto com coxinhas sendo fritas na hora. Não exitei.
A chuva sessou enquanto eu tomava meu café, e deu pra ir até o metrô sem abrir meu guarda-chuva, que estava mais seco que eu, bem protegido dentro da minha bolsa.
Uma corridinha até as escadas e, ele subia pela escada rolante com uma cara assim, meio manchester dos anos 80, de quem não tinha muito o que buscar, barba que acabou de acordar e um olhar perdido olhando o teto de vidro.
Ele não me viu, devia estar pensando em como ia se proteger da chuva já que nao trazia nenhum guarda-chuva nos bolsos da sua calça de moletom.
Eu fiquei encatada e até parei no meio da escada para observa-lo melhor, aproveitando que não tinha ninguém ao redor pra julgar essa cena meio em camera lenta de quem se apaixona num domingo de manhã, sabendo que amores de domingo de manhã não tem futuro nenhum.
Ele saiu da escada e foi em direção à porta, e se perdeu la fora no meio dos alguns guarda-chuvas pretos que se espalhavam pela maior avenida da região.
Eu desci as escadas pensando em voltar e ir atrás dele, perguntar se gostava de joy division e se queria, um dia, beber umas cervejas comigo e me contar como, por coincidencia, o pós punk também tinha salvado a vida dele.
Parei na escada pela segunda vez, olhei pra trás, vinham pessoas atrás de mim, a escada rolante continuava subindo, abri a bolsa, peguei o guarda-chuva, e pensei que não valia a pena molha-lo.
Continuei descendo as escadas, e pra não passar batido, repensei uma das frases mais famosas da historia para combinar mais com a grande são paulo chuvosa, e escrevi com o dedo na janela não embaçada do metrô: rain, rain will tear us apart, again.

terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de maio.

chove-se desesperadamente nos becos sujos.
ri-se timidamente nas esquinas escuras.
ama-se secretamente nos quartos fechados das casas apagadas.
come-se silenciosamente nas mesas de vidro dos restaurantes caros.
dança-se descompassadamente nos pequenos bares cheios de fumaça dos bairros afastados.
toca-se descontroladamente um saxofone grande nas salas de visitas das familias negras dos suburbios.
escreve-se perturbadamente nas máquinas de escrever velhas dos porões dos sobrinhos pobres que moram com as avós.
chora-se amargamente nas escadarias molhadas das vilas velhas das cidades turisticas.
lê-se sofridamente livros escritos por gênios mortos pela bebida amarga das noites de inverno.
anda-se apressadamente nas ruas tristes do centro esquecido.
espera-se esperançosamente pelo sentimento que te salve desse feriado perdido.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Vida

Eu estava apaixonado. Escrevia poemas e gravava cds imaginários pra ela. Ouvia as músicas mais românticas da historia e ensaiava diálogos cheios de amor.
Eu comprava flores e deixava murchando em casa. Escrevia post-its lembrando que todo dia era um dia a menos sem ela. Escolhia os melhores livros para dar de presentes em datas especiais, fazia seleção de restaurantes para almoçarmos juntos aos domingos, baixava filmes pra quando estivesse chovendo sábado a noite.
Comprei camiseta pra ir almoçar na casa dos pais delas, escolhi terno pro casamento da irmã, criei coragem pra avisar os amigos que finalmente eu tinha sido fisgado.
Aprendi a preparar café da manhã, troquei os lençóis do meu apartamento e comprei um quadro dos smiths pra colocar em cima da cama.
Me habituei a lavar a louça e a deixar sempre um prato congelado do freezer, caso ela viesse me visitar de surpresa. Contratei uma mulher pra tirar o pó dos móveis, peguei um tapete bonito com a minha mãe e esvaziei uma gaveta do banheiro.
Joguei fora as toalhas velhas, abria a janela todos os dias de manhã e dei um jeito nas caixas de som que estava chiando.
Organizei os discos na prateleira, limpei o histórico do computador e mudei algumas coisas de lugar.
Troquei as lâmpadas que estavam fracas, comprei gilette nova e cortei o cabelo depois de meses. Me desfiz de algumas playboys pra ela colocar algumas revistas dela, arranjei talheres novos e uma pasta de dente menos forte.
Escolhi sabonetes mais cheirosos, deixei um espaço pro shampoo dela no banheiro e abri as portas do guarda-roupa pra sair o cheiro de mofo.
Agora meu apartamento está iluminado, com cheiro de vida. E ela, ela eu nem sei onde está.

domingo, 25 de março de 2012

O morto, a pizza e o entregador.

A gente tava sentado na calçada, conversando sobre mulher, esperando nossa pizza chegar quando ouvimos dois tiros vindo da direção da padaria. Enquanto a multidão se aglomerava ouvimos o terceiro tiro, e concluímos que esse foi pra terminar o trabalho.
Nossa pizza chegou e o entregador desceu da moto ligada e perguntou da onde vinham os tiros, apontamos pra padaria e ele saiu pra ver o que estava acontecendo, esquecendo de pegar o dinheiro e de entregar o refrigerante.
Fomos em direção a padaria, em busca de uma coca gelada naquele calor típico de sabado às 3 da tarde.
Era difícil passar pela multidão aglomerada, querendo saber quem era o morto, o atirador, querendo saber porque matar um cara num sábado a tarde na frente da padaria do bairro, atrapalhando a rotina dos moradores.
Passamos, segurando a pizza como se fosse nossas vidas, empurrando senhorinhas que aos 80 anos nunca tinham visto um morto e caras que tinham cara de que ja tinham visto vários.
Ao chegar na padaria o sangue escorria pela porta, tivemos que entrar com cuidado, passando por cima do morto sangrando, sem esbarrar em nada pra não dificultar o trabalho dos policiais.
Perguntamos se tinha refrigerante gelado e o cara contando dinheiro atras do caixa levantou a cabeça, apontou pra geladeira e disse que era só pegar.
Pagamos e saimos, os policiais estavam chegando, fecharam a padaria e começaram a espalhar a multidão.
Voltamos pra porta de casa, e o entregador estava lá esperando a gente pra pegar o dinheiro.
Fez algum comentário babaca e saiu com a moto.
Nós entramos em casa pensando que a vida segue, menos pro morto da padaria.

terça-feira, 6 de março de 2012

we're always looking for answers
to arrive at the earliest dawn
and all we always get
are some empty bottles
beside our beds

they're sitting on their old chairs
waiting for something importante
to pass
while time flies
near their heads

we're singin'
the same old songs
and everybody is dying
everyday
a little more
and the rivers run
as the sky changes its colour

all we've always wanted
is unbearable love
and some books to read.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Wonder

Sometimes I think
What Bukowski would say
About my little meanless life
If I would be proud
Or if I would like to disappear

Sometimes I keep thinking
Of all the good minds wasted
Lost in the dust
Lost forever
And of all the good minds
To come

I think about
What I would say
To my heros
The last time I saw one of
Them
I didn't say anything

sábado, 14 de janeiro de 2012

it's 2 in the morning
and your neighbor is playing a song
you can't recall the name
you wish you were drinking
some beers with your lover
but all you get are
an old best friend
talking shit about
a bad artist
and a cat
sucking its balls
while the dawn is raising
and your demons are dying
it's saturday morning
come on
and let it shine