E a pior parte do romance é quando o amor morre mas fica formigando dentro do seu estômago, ocupando tudo de súbito. É uma tristeza contida, que não tem lágrima nem soluço.
Me pego de volta aos discos que me esperaram esse tempo todo, sem nunca nem se mexerem, fazendo o mesmo sentido que faziam há anos.
Música triste é feito Deus, a gente sempre procura quando tá desesperado.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
domingo, 9 de dezembro de 2012
Desespero aos 20 anos.
Passei a vida inteira me imaginando de sobretudo, andando sozinha em Londres com as golas levantadas tentando imitar a cara do Joe Strummer.
Amanhã vou pra lá, cheia de sobretudos na mala e muita dor no coração. Nunca pensei que fosse realizar meu sonho de menina, acho até que é por isso que estou tão desesperada.
Ver seus sonhos se realizando dá um pouco de medo, afinal, o que sonhar depois?
Eu não sei como vai ser daqui pra frente, o quando eu vou mudar, o quanto os outros vão mudar comigo.
Só espero que quando eu volte tenha sol e alguém me esperando.
Amanhã vou pra lá, cheia de sobretudos na mala e muita dor no coração. Nunca pensei que fosse realizar meu sonho de menina, acho até que é por isso que estou tão desesperada.
Ver seus sonhos se realizando dá um pouco de medo, afinal, o que sonhar depois?
Eu não sei como vai ser daqui pra frente, o quando eu vou mudar, o quanto os outros vão mudar comigo.
Só espero que quando eu volte tenha sol e alguém me esperando.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
any given thursday
So I was thinkin' about relationships and about how it pertains to songs about relationships, And uh, I was trying to think, well it occurred to me that the key, I figured out the key to a relationship and how to make it work. Check it out, this is, this is, a tip from your uncle John, check it out. When you first meet somebody, you find out they like you, first of all, a friend of a friend of theirs say, he or she really really likes you, and it kills you, floors you, sends you to the ground, you've got to pick yourself up off the ground; then you get their phone number and you call them up, right, and you say "Yeah, that's a really great phone conversation, can I see you some time?" and then they say this, they say, "I'd like that." Nothing feels better than "I'd like that". So now, your blood pressures' goin, you're six feet off the ground, you can't sleep, because of "I'd like that". So then you hang out for a while, and you call and you talk on the phone all the time, and then you drop the bomb, what feels like the bomb, you say, "You know what, I've been thinkin about you a lot." And she goes, "Ahhhhhhh!" And you go "What happened?" and she goes, "I'm sorry, I just, I just, I just, that's, I've been thinking about you too." Bam. Higher into the sky. But now "I'd like that." Tch. Done. Now you're up to "I'm thinkin about you." Then however number of months pass, it makes you feel comfortable saying it, you say "I gotta tell you something." They go "What?", you go "I'm in love with you." And nothing in the world sounds better than "I'm in love with you." And then maybe she starts crying, or maybe he goes "*gasp*". And all the sudden you're like "I'm in." But now what doesn't work?; "I'd like that." and "I've been thinkin about you." Now we're at "I'm in love with you." Then maybe some day it'll move up to "I love you." Fast forward, now you're like "I love you a lot; I love you more than anything in life." Now "I love you." doesn't work. It's a threshold that keeps movin up. Fast forward, like six months, six weeks, whatever the case may be, now you're on like, "I want to marry you." "I want to impregnate you with my love." "I wanna, I wanna just send my love to you." "Damn it, words don't work anymore." And then you say this line, and you know, you know you've used this line before, "I just wish they'd put a new word in the dictionary bigger than love because love just doesn't describe what I feel." And so now he or she starts askin, "Do you love me?" and you start goin, "Of course I love you." "Well say it." And then it becomes "Say it twice." And it goes "Say it three times." And then, you cross a really interesting point, where all the sudden it becomes "I hate you, I hate you." And you go, "Oh my god she hates me." And now it's like "I hate you more than anything." And then it's like "We're over." And then they go "No we're not." And you go "Yes we are." Now the words completely do not work at all, you're left with nothing. You're throwing punches under water. You're done. You know what the moral of that story is, if there is one. Never, ever, ever, ever underestimate the power of "I'd like that."
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Bukowski on love
"Love is kind of like when you see a fog in the morning, when you wake up before the sun comes out. It’s just a little while, and then it burns away… Love is a fog that burns with the first daylight of reality.”
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
se ian curtis morasse em são paulo.
Junho começou chuvoso e eu já estava sentindo falta das tarde nos bares, das mesas na rua, da cerveja gelada no copo mais gelado ainda em meio à paulicéia desvairada correndo sem parar ao redor.
Fazia tempo que os meus vestidos estavam guardados esperando o proximo verão que, também chuvoso, ao menos tinha um solzinho pra esquentar.
Caia um pé d'água tremendo no centro da cidade e os metrôs estavam vazios. Era domingo de manhã, a padaria mais famosa do bairro estava abarrotada de gente pra comprar um pãozinho, enquanto o boteco já tava aberto com coxinhas sendo fritas na hora. Não exitei.
A chuva sessou enquanto eu tomava meu café, e deu pra ir até o metrô sem abrir meu guarda-chuva, que estava mais seco que eu, bem protegido dentro da minha bolsa.
Uma corridinha até as escadas e, ele subia pela escada rolante com uma cara assim, meio manchester dos anos 80, de quem não tinha muito o que buscar, barba que acabou de acordar e um olhar perdido olhando o teto de vidro.
Ele não me viu, devia estar pensando em como ia se proteger da chuva já que nao trazia nenhum guarda-chuva nos bolsos da sua calça de moletom.
Eu fiquei encatada e até parei no meio da escada para observa-lo melhor, aproveitando que não tinha ninguém ao redor pra julgar essa cena meio em camera lenta de quem se apaixona num domingo de manhã, sabendo que amores de domingo de manhã não tem futuro nenhum.
Ele saiu da escada e foi em direção à porta, e se perdeu la fora no meio dos alguns guarda-chuvas pretos que se espalhavam pela maior avenida da região.
Eu desci as escadas pensando em voltar e ir atrás dele, perguntar se gostava de joy division e se queria, um dia, beber umas cervejas comigo e me contar como, por coincidencia, o pós punk também tinha salvado a vida dele.
Parei na escada pela segunda vez, olhei pra trás, vinham pessoas atrás de mim, a escada rolante continuava subindo, abri a bolsa, peguei o guarda-chuva, e pensei que não valia a pena molha-lo.
Continuei descendo as escadas, e pra não passar batido, repensei uma das frases mais famosas da historia para combinar mais com a grande são paulo chuvosa, e escrevi com o dedo na janela não embaçada do metrô: rain, rain will tear us apart, again.
Fazia tempo que os meus vestidos estavam guardados esperando o proximo verão que, também chuvoso, ao menos tinha um solzinho pra esquentar.
Caia um pé d'água tremendo no centro da cidade e os metrôs estavam vazios. Era domingo de manhã, a padaria mais famosa do bairro estava abarrotada de gente pra comprar um pãozinho, enquanto o boteco já tava aberto com coxinhas sendo fritas na hora. Não exitei.
A chuva sessou enquanto eu tomava meu café, e deu pra ir até o metrô sem abrir meu guarda-chuva, que estava mais seco que eu, bem protegido dentro da minha bolsa.
Uma corridinha até as escadas e, ele subia pela escada rolante com uma cara assim, meio manchester dos anos 80, de quem não tinha muito o que buscar, barba que acabou de acordar e um olhar perdido olhando o teto de vidro.
Ele não me viu, devia estar pensando em como ia se proteger da chuva já que nao trazia nenhum guarda-chuva nos bolsos da sua calça de moletom.
Eu fiquei encatada e até parei no meio da escada para observa-lo melhor, aproveitando que não tinha ninguém ao redor pra julgar essa cena meio em camera lenta de quem se apaixona num domingo de manhã, sabendo que amores de domingo de manhã não tem futuro nenhum.
Ele saiu da escada e foi em direção à porta, e se perdeu la fora no meio dos alguns guarda-chuvas pretos que se espalhavam pela maior avenida da região.
Eu desci as escadas pensando em voltar e ir atrás dele, perguntar se gostava de joy division e se queria, um dia, beber umas cervejas comigo e me contar como, por coincidencia, o pós punk também tinha salvado a vida dele.
Parei na escada pela segunda vez, olhei pra trás, vinham pessoas atrás de mim, a escada rolante continuava subindo, abri a bolsa, peguei o guarda-chuva, e pensei que não valia a pena molha-lo.
Continuei descendo as escadas, e pra não passar batido, repensei uma das frases mais famosas da historia para combinar mais com a grande são paulo chuvosa, e escrevi com o dedo na janela não embaçada do metrô: rain, rain will tear us apart, again.
terça-feira, 1 de maio de 2012
1º de maio.
chove-se desesperadamente nos becos sujos.
ri-se timidamente nas esquinas escuras.
ama-se secretamente nos quartos fechados das casas apagadas.
come-se silenciosamente nas mesas de vidro dos restaurantes caros.
dança-se descompassadamente nos pequenos bares cheios de fumaça dos bairros afastados.
toca-se descontroladamente um saxofone grande nas salas de visitas das familias negras dos suburbios.
escreve-se perturbadamente nas máquinas de escrever velhas dos porões dos sobrinhos pobres que moram com as avós.
chora-se amargamente nas escadarias molhadas das vilas velhas das cidades turisticas.
lê-se sofridamente livros escritos por gênios mortos pela bebida amarga das noites de inverno.
anda-se apressadamente nas ruas tristes do centro esquecido.
espera-se esperançosamente pelo sentimento que te salve desse feriado perdido.
ri-se timidamente nas esquinas escuras.
ama-se secretamente nos quartos fechados das casas apagadas.
come-se silenciosamente nas mesas de vidro dos restaurantes caros.
dança-se descompassadamente nos pequenos bares cheios de fumaça dos bairros afastados.
toca-se descontroladamente um saxofone grande nas salas de visitas das familias negras dos suburbios.
escreve-se perturbadamente nas máquinas de escrever velhas dos porões dos sobrinhos pobres que moram com as avós.
chora-se amargamente nas escadarias molhadas das vilas velhas das cidades turisticas.
lê-se sofridamente livros escritos por gênios mortos pela bebida amarga das noites de inverno.
anda-se apressadamente nas ruas tristes do centro esquecido.
espera-se esperançosamente pelo sentimento que te salve desse feriado perdido.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Vida
Eu estava apaixonado. Escrevia poemas e gravava cds imaginários pra ela. Ouvia as músicas mais românticas da historia e ensaiava diálogos cheios de amor.
Eu comprava flores e deixava murchando em casa. Escrevia post-its lembrando que todo dia era um dia a menos sem ela. Escolhia os melhores livros para dar de presentes em datas especiais, fazia seleção de restaurantes para almoçarmos juntos aos domingos, baixava filmes pra quando estivesse chovendo sábado a noite.
Comprei camiseta pra ir almoçar na casa dos pais delas, escolhi terno pro casamento da irmã, criei coragem pra avisar os amigos que finalmente eu tinha sido fisgado.
Aprendi a preparar café da manhã, troquei os lençóis do meu apartamento e comprei um quadro dos smiths pra colocar em cima da cama.
Me habituei a lavar a louça e a deixar sempre um prato congelado do freezer, caso ela viesse me visitar de surpresa. Contratei uma mulher pra tirar o pó dos móveis, peguei um tapete bonito com a minha mãe e esvaziei uma gaveta do banheiro.
Joguei fora as toalhas velhas, abria a janela todos os dias de manhã e dei um jeito nas caixas de som que estava chiando.
Organizei os discos na prateleira, limpei o histórico do computador e mudei algumas coisas de lugar.
Troquei as lâmpadas que estavam fracas, comprei gilette nova e cortei o cabelo depois de meses. Me desfiz de algumas playboys pra ela colocar algumas revistas dela, arranjei talheres novos e uma pasta de dente menos forte.
Escolhi sabonetes mais cheirosos, deixei um espaço pro shampoo dela no banheiro e abri as portas do guarda-roupa pra sair o cheiro de mofo.
Agora meu apartamento está iluminado, com cheiro de vida. E ela, ela eu nem sei onde está.
domingo, 25 de março de 2012
O morto, a pizza e o entregador.
A gente tava sentado na calçada, conversando sobre mulher, esperando nossa pizza chegar quando ouvimos dois tiros vindo da direção da padaria. Enquanto a multidão se aglomerava ouvimos o terceiro tiro, e concluímos que esse foi pra terminar o trabalho.
Nossa pizza chegou e o entregador desceu da moto ligada e perguntou da onde vinham os tiros, apontamos pra padaria e ele saiu pra ver o que estava acontecendo, esquecendo de pegar o dinheiro e de entregar o refrigerante.
Fomos em direção a padaria, em busca de uma coca gelada naquele calor típico de sabado às 3 da tarde.
Era difícil passar pela multidão aglomerada, querendo saber quem era o morto, o atirador, querendo saber porque matar um cara num sábado a tarde na frente da padaria do bairro, atrapalhando a rotina dos moradores.
Passamos, segurando a pizza como se fosse nossas vidas, empurrando senhorinhas que aos 80 anos nunca tinham visto um morto e caras que tinham cara de que ja tinham visto vários.
Ao chegar na padaria o sangue escorria pela porta, tivemos que entrar com cuidado, passando por cima do morto sangrando, sem esbarrar em nada pra não dificultar o trabalho dos policiais.
Perguntamos se tinha refrigerante gelado e o cara contando dinheiro atras do caixa levantou a cabeça, apontou pra geladeira e disse que era só pegar.
Pagamos e saimos, os policiais estavam chegando, fecharam a padaria e começaram a espalhar a multidão.
Voltamos pra porta de casa, e o entregador estava lá esperando a gente pra pegar o dinheiro.
Fez algum comentário babaca e saiu com a moto.
Nós entramos em casa pensando que a vida segue, menos pro morto da padaria.
terça-feira, 6 de março de 2012
we're always looking for answers
to arrive at the earliest dawn
and all we always get
are some empty bottles
beside our beds
they're sitting on their old chairs
waiting for something importante
to pass
while time flies
near their heads
we're singin'
the same old songs
and everybody is dying
everyday
a little more
and the rivers run
as the sky changes its colour
all we've always wanted
is unbearable love
and some books to read.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Wonder
Sometimes I think
What Bukowski would say
About my little meanless life
If I would be proud
Or if I would like to disappear
Sometimes I keep thinking
Of all the good minds wasted
Lost in the dust
Lost forever
And of all the good minds
To come
I think about
What I would say
To my heros
The last time I saw one of
Them
I didn't say anything
sábado, 14 de janeiro de 2012
it's 2 in the morning
and your neighbor is playing a song
you can't recall the name
you wish you were drinking
some beers with your lover
but all you get are
an old best friend
talking shit about
a bad artist
and a cat
sucking its balls
while the dawn is raising
and your demons are dying
it's saturday morning
come on
and let it shine
and your neighbor is playing a song
you can't recall the name
you wish you were drinking
some beers with your lover
but all you get are
an old best friend
talking shit about
a bad artist
and a cat
sucking its balls
while the dawn is raising
and your demons are dying
it's saturday morning
come on
and let it shine
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
memories
remember everything
you have said
the places you have gone and all
the people you
met.
remind your friends
to not drink like you
and always call your mother
when it's raining.
try to stop worrying
when its friday
and you're alone.
let your tears
come out in the dawn
and don't forget
about love.
you have said
the places you have gone and all
the people you
met.
remind your friends
to not drink like you
and always call your mother
when it's raining.
try to stop worrying
when its friday
and you're alone.
let your tears
come out in the dawn
and don't forget
about love.
domingo, 20 de novembro de 2011
november skies
the sky is lonely
and it's only november
there's no rain outside
it's not windy
someone called the doctor
and asked for pills
while birds travel
and it's cold
and it's only november
there's no rain outside
it's not windy
someone called the doctor
and asked for pills
while birds travel
and it's cold
Dia 3 parte 1
É domingo de manhã e o mundo está mais barulhento do que nunca.
Estou lendo sobre Kerouac, Ginsberg e Burroughs e meu pulmão está latejando em resposta a uma agitação que eu desconheço.
Parece que estou vendo a vida passar e não consigo me mexer, deitada no mesmo lugar há 40 minutos, remoendo momentos que não vivi.
Estou sozinha e só eu sei pelo que não estou passando.
Preciso comprar uma bicicleta e um peixe, por mais que não faça sentido.
Joy Division seria bom.
Estou lendo sobre Kerouac, Ginsberg e Burroughs e meu pulmão está latejando em resposta a uma agitação que eu desconheço.
Parece que estou vendo a vida passar e não consigo me mexer, deitada no mesmo lugar há 40 minutos, remoendo momentos que não vivi.
Estou sozinha e só eu sei pelo que não estou passando.
Preciso comprar uma bicicleta e um peixe, por mais que não faça sentido.
Joy Division seria bom.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Dia 2 parte 1
Sinto que estou voltando ao normal.
Vontade de beber quinta-feira a noite enquanto escuto o album solo do guitarrista de uma das minhas bandas favoritas e penso em comprar um teclado novo pro meu computador.
A vida segue e está frio e tenho mais preguiça de buscar uma blusa do que ar nos pulmões.
Vontade de beber quinta-feira a noite enquanto escuto o album solo do guitarrista de uma das minhas bandas favoritas e penso em comprar um teclado novo pro meu computador.
A vida segue e está frio e tenho mais preguiça de buscar uma blusa do que ar nos pulmões.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Dia 1 parte 1
Contei 4 ataques de tosse essa madrugada; se dormi 5 horas tranquilas, foi muito.
Resolvi acordar diferente hoje, mas isso não depende só de mim.
Não sei ainda se chove, mas já terminei minha xícara de café e meus dois ultimos pedaços de bolo.
Estou há 10 dias sem beber e há 9 sem fumar.
ps: é horrível ter que trabalhar depois de uma semana.
Resolvi acordar diferente hoje, mas isso não depende só de mim.
Não sei ainda se chove, mas já terminei minha xícara de café e meus dois ultimos pedaços de bolo.
Estou há 10 dias sem beber e há 9 sem fumar.
ps: é horrível ter que trabalhar depois de uma semana.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Fred had Watched a Lot of Kung Fu Episodes
so when the policeman asked
to see his driver’s license, he said
Does the wind need permission
from the hedgehog to blow?
which resulted in a search of the car,
which miraculously yielded nothing
since Fred had swallowed all the mescaline already
and was just beginning to fall in love
with the bushy caterpillar eyebrows
of the officer in question.
In those days we could identify
the fingerprints on a guitar string
by the third note of the song
broadcast from the window of a passing car,
but we couldn’t tell the difference
between a personal disaster
and “having an experience,”
so Fred thought being locked up for the night
was kind of fun,
with the graffiti on the drunk-tank wall
chattering in Mandarin
and the sentient cockroaches coming out to visit
in triplicate.
Back then it wasn’t a question of pleasure or pain,
it wasn’t a question of getting to the top
then trying not to fall at any cost.
It was a question of staying tuned in,
one episode at a time,
said Fred to himself
as he walked home the next morning
under the spreading lotus trees on Walnut Street
feeling Oriental.
Tony Hoagland, Donkey Gospel
to see his driver’s license, he said
Does the wind need permission
from the hedgehog to blow?
which resulted in a search of the car,
which miraculously yielded nothing
since Fred had swallowed all the mescaline already
and was just beginning to fall in love
with the bushy caterpillar eyebrows
of the officer in question.
In those days we could identify
the fingerprints on a guitar string
by the third note of the song
broadcast from the window of a passing car,
but we couldn’t tell the difference
between a personal disaster
and “having an experience,”
so Fred thought being locked up for the night
was kind of fun,
with the graffiti on the drunk-tank wall
chattering in Mandarin
and the sentient cockroaches coming out to visit
in triplicate.
Back then it wasn’t a question of pleasure or pain,
it wasn’t a question of getting to the top
then trying not to fall at any cost.
It was a question of staying tuned in,
one episode at a time,
said Fred to himself
as he walked home the next morning
under the spreading lotus trees on Walnut Street
feeling Oriental.
Tony Hoagland, Donkey Gospel
o menino mais bonito da cidade
Era véspera de finados quando ele me ligou. Estava um frio de rachar e as pessoas estavam dançando sem parar ao som de uma música que eu não conhecia. O lugar estava abafado e as luzes, que não paravam de piscar, faziam com que minha cabeça doesse. Saí do salão pra atender ao telefone; ele desligou. Não retornei a ligação e acendi um cigarro pra não perder a viagem.
A noite estava congelante e as pessoas na rua olhavam curiosas pra porta da festa que abria e fechava sem parar. Uma mistura maluca de tráfico de drogas e fantasias de halloween enquanto meu pulmão queimava e os carros passavam sem pressa a observar o movimento pouco comum nas ruas.
Ele passou pela festa e me viu fumando, atravessou a rua para vir me comprimentar. Me perguntou o que eu andava fazendo logo de cara e disse que tinham livros meus parados perto de sua cama. Eu disse que não fazia nada demais e que nem lembrava dos livros. Ele riu.
Elogiou minha fantasia e disse que há muito tempo não nos víamos. Eu concordei, afinal já tinham se passado dois anos, e como se fosse uma lei do destino ou de sei lá quem, ele estava de volta, bonito como sempre, parecendo mais jovem, cheio de coisas pra me contar.
Disse que estava jogando futebol com os amigos e que havia largado o cigarro; que não escrevia mais e que estava à procura de algo novo pra se interessar.
Acho que ficamos mais tempos calados do que conversando - observávamos a rua e, vez em quando, comentávamos as pessoas que iam e vinham, quase tão perdidas como nós.
Éramos tão íntimos no frio da primavera, que sorriamos olhando a lua e não precisávamos explicar.
Soltávamos observações sobre a vida e aprendemos a nunca nos super estimarmos na frente um do outro.
Era um jogo em que sabíamos que os dois sairiam perdendo e que não valia a pena usar mascaras ou tentar esconder o que quer que fosse.
Ele me perguntava insistentemente o que eu queria da minha vida, eu pensava em responder que ele não estava nos meus planos mas me contentava em responder que não pensava em entrar numa faculdade e que queria viajar por aí.
Ele me olhava com olhos distantes enquanto eu dissertava sobre o que estava lendo, e ficava em silencio como se pensasse nas palavras certas, o que me deixava com medo de continuar. Soltava um riso quando eu terminava, abaixava a cabeça e mudava de assunto. E me elogiava sempre que tinha a oportunidade.
Ele é o cara mais legal que eu já conheci, e é uma pena não sabermos disso.
Ainda gosto de imaginar nós dois juntos no futuro, por mais que não seja o que eu quero.
Gosto de te-lo distante, reaparecendo a cada dois anos pra me salvar de qualquer delírio que esteja me rondando.
Gosto de te-lo como o ultimo amor romântico que ronda a cidade em Novembro. É boa essa certeza de que nada é certo pra valer.
Ele foi embora depois de me dar um abraço e falar bem das minhas pintas.
Eu disse que nos encontrávamos para trocar livros, porque ideias não é muito bom trocar.
A noite estava congelante e as pessoas na rua olhavam curiosas pra porta da festa que abria e fechava sem parar. Uma mistura maluca de tráfico de drogas e fantasias de halloween enquanto meu pulmão queimava e os carros passavam sem pressa a observar o movimento pouco comum nas ruas.
Ele passou pela festa e me viu fumando, atravessou a rua para vir me comprimentar. Me perguntou o que eu andava fazendo logo de cara e disse que tinham livros meus parados perto de sua cama. Eu disse que não fazia nada demais e que nem lembrava dos livros. Ele riu.
Elogiou minha fantasia e disse que há muito tempo não nos víamos. Eu concordei, afinal já tinham se passado dois anos, e como se fosse uma lei do destino ou de sei lá quem, ele estava de volta, bonito como sempre, parecendo mais jovem, cheio de coisas pra me contar.
Disse que estava jogando futebol com os amigos e que havia largado o cigarro; que não escrevia mais e que estava à procura de algo novo pra se interessar.
Acho que ficamos mais tempos calados do que conversando - observávamos a rua e, vez em quando, comentávamos as pessoas que iam e vinham, quase tão perdidas como nós.
Éramos tão íntimos no frio da primavera, que sorriamos olhando a lua e não precisávamos explicar.
Soltávamos observações sobre a vida e aprendemos a nunca nos super estimarmos na frente um do outro.
Era um jogo em que sabíamos que os dois sairiam perdendo e que não valia a pena usar mascaras ou tentar esconder o que quer que fosse.
Ele me perguntava insistentemente o que eu queria da minha vida, eu pensava em responder que ele não estava nos meus planos mas me contentava em responder que não pensava em entrar numa faculdade e que queria viajar por aí.
Ele me olhava com olhos distantes enquanto eu dissertava sobre o que estava lendo, e ficava em silencio como se pensasse nas palavras certas, o que me deixava com medo de continuar. Soltava um riso quando eu terminava, abaixava a cabeça e mudava de assunto. E me elogiava sempre que tinha a oportunidade.
Ele é o cara mais legal que eu já conheci, e é uma pena não sabermos disso.
Ainda gosto de imaginar nós dois juntos no futuro, por mais que não seja o que eu quero.
Gosto de te-lo distante, reaparecendo a cada dois anos pra me salvar de qualquer delírio que esteja me rondando.
Gosto de te-lo como o ultimo amor romântico que ronda a cidade em Novembro. É boa essa certeza de que nada é certo pra valer.
Ele foi embora depois de me dar um abraço e falar bem das minhas pintas.
Eu disse que nos encontrávamos para trocar livros, porque ideias não é muito bom trocar.
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