sexta-feira, 13 de março de 2009

Lua cheia

Sexta-feira treze.
Hoje trago um pouco de ódio e um pouco de duvida.
Acordei folk e vou dormir rockabilly.
Tô precisando de muitas coisas agora.
muitas. mesmo.

bom sabado quatorze pra mim.
afinal, hoje já acabou.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Supra-Sumo

Uma quinta-feira quente; Não tanto quantos tantas outras quintas, mas, ainda assim, quente. Quente o suficiente pra me fazer clamar por inverno. Mas ainda é outono, e as folhas caem lânguidas e flores pintam o chão de roxo enquanto as pessoas fumam e nós reclamamos do tédio. O tempo parece rastejar e num instante, depois de tanta coisa, os sentimentos dissimulados que todos sentem mas não gostam de demonstrar acabam querendo gritar, fugir, correr; e escapam pelos poros, pela boca, pelos olhos indômitos - e quando isso acontece, mate-se uma amizade de anos, um romance de meses, uma certeza que vivera poucos segundos. Hoje é quinta-feira. O céu borrou a cor no fim da tarde e me fez esconder a raiva embaixo do tapete. Hoje não teve amor, nem paz, nem esperança. Hoje foi um dia morto. Morto, mas ainda não enterrado. E ele fede a mofo e insensatez, à loucura e gim; cheira a musgo, podridão e incapacidade. Já é noite. Noite quente. Tão quente e sozinha como tantas outras... e fede a fim.

quarta-feira, 11 de março de 2009

necessário constar:

Hoje ganhei uma barra de chocolate Wonka, comecei a ler rimbaud e escrevi um poema.

haha;

terça-feira, 10 de março de 2009

só pra constar:

keep me in miiiiiiiiiiiind.

segunda-feira, 9 de março de 2009

ao remetente;

É engraçado dar-se conta de que não é você que segue a vida; é o cenário que passa, correndo, como as horas que são todas suas e sem dono.
A estrada corre ao contrário, como ponteiro de relógio no espelho que te remete ao tão esperado encontro entre alma, corpo, coração, desejo. A imagem tão sincera nas primeiras horas da manhã, que no fim da noite, retorcida e suja, te joga na cara um cuspe amarelo cheio de verdade e dor.
Em uma dessas olhadas a si mesmo, qualquer um depara-se com um monstro, e joga a culpa no mundo, nas rugas, na gravidade e até mesmo em deus.
Talvez você tenha mudado. Mudado como aqueles tantos garotos e garotas, que sempre pertenceram ao mundo e às suas delicias. Talvez você esteja mudado como aquelas certezas antigas que abriram feridas tão eternas quanto vivas.
Terrível - mais terrível do que perceber-se como tudo o que há de ruim - é encarar a vida como algo longo e mortífero. Você, sim, tem todo o tempo que o mundo te deu e tem de fazer dele o tempo mais belo e efêmero.
Sabes que o amor que sinto por ti é maior do que o destinado a qualquer outro, a qualquer outra.
No meio da poeira e dos livros numa madrugada perdida entre tantas outras madrugadas de tantos outros perdidos, me deparo com incertezas e medos e fantasmas que, na verdade, nunca foram embora.
E quando raios fazem-se luz de varanda e ventos brindam em uníssono a chegada de uma nova estação, eu só queria paz. Um pouco de paz e sublime esperança. Um pouco mais de esforço. E tua companhia.

sábado, 7 de março de 2009

sábado a noite

Hoje vou me fantasiar de Allen Ginsberg e sair por aí comendo garotinhos.

É sério.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Judie e Peter

"Na penumbra encararam as órbitas escurecidas dos olhos um do outro, para os olhos levemente luminosos de si mesmos, e ficaram pensativos e escutaram a chuva nos telhados. Sabiam tanto um sobre o outro, no fim, que devia ser impossível que brigassem outra vez. Todo o mundo chovia, mas eles estavam juntos na atmosfera cálida e doce de si mesmos, na luz tênue que seus olhos emitiam na escuridão, no clima que seus corpos faziam ao se abraçarem, ao sabor de sua tristeza amorosa. Estavam completamente sozinhos, juntos na doçura daquilo e só então, por alguma razão só então, puderam recordar do enorme amor que deviam sentir por todos no mundo. E a sabedoria do fato afetuoso de que se amavam era muito verdadeira e definitiva. Tanto que ficaram por horas juntos no escuro sem dizer palavra, ficaram só ali, quietos."

De Cidade pequena, cidade grande
Jack Kerouac

quarta-feira, 4 de março de 2009

it's all about

Era um lance de vontade nos olhos e uma vida inteira nas mãos.
Eles sabiam disso.
Só eles.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Não precisa disso

Está faltando algo.
Muito me lembro das poucas vezes que me senti completa, mas agora não é uma dessas vezes.
Não sei se falta chuva, se faltam olhos, se falta o tato, se falta sangue. Sei que há um buraco que arde, grita, clama, e dorme pra acordar daqui a pouco.
É um vazio estranho e inseguro, nada como um espaço ou uma cama sem ninguém; é um vazio sem nome e sem senso, completo e traiçoeiro e fingido.
Talvez falte só a certeza, a certeza em cima de alguma coisa qualquer.
Talvez eu esteja esperando algo que nao vai acontecer tão cedo.
Talvez eu só precise escutar as mesmas palavras um pouco mais e mais e mais uma vez.
Não sei quanto tempo falta... não sei quanto tempo tenho... não sei o que me espera ou o que eu espero... não sei mais; eu nunca soube.

domingo, 1 de março de 2009

Levinsky diz:

"Os bêbados ou viciados ou sejam lá quem forem que comem cabeças de galinhas vivas nos parques de diversão... nunca ouviu falar de aberrações? Ah, a questão toda está aqui! Todos neste mundo estão se sentindo como uma aberração... você não vê? Não sente o que está acontecendo ao seu redor? Toda a neurose e a moralidade restritiva e as repressões escatológicas e a agressividade suprimida finalmente assumiram uma vantajosa posição de controle da humanidade - todo mundo está virando uma aberração! Todo mundo se sente como zumbi, e em algum lugar nos confins da noite, o grande mágico, a grande figuraa de Drácula da desintegração e loucura modernas, o gênio sábio por trás de tudo, o diabo se quiser, está controlando tudo com seus cordéis de promessas e feitiços."

de Cidade pequena, cidade grande
Jack Kerouac