quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Preste Atenção!

Cigarras gritam e colorem o dia com cores que não existem.
Pintam anjos sem asas e demônios sem chifres.
Passos passam.
Pessoas pedem.
Perdas passeiam, por ai, perdidas.
E você não percebe; não percede que o arco-íris clama por desatenção. Ele não é tudo isso, é só um resumo do canto das cigarras.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

um fragmento montado de "meu triste eu"


"Às vezes quando meus olhos estão vermelhos
Subo ao topo do prédio.
Caminhos cruzados nessas ruas escondidas,
Minha história recapitulada, minhas ausências e êxtases.
- O sol brilhando sobre tudo o que tenho,
num pestanejar para o horizonte,
na minha ultima eternidade – a matéria é água.
Triste, tomo o elevador e vou, para baixo, pensativo.
E caminho pelas calçadas olhando as vidraças
Dos homens, os rostos,
Querendo saber quem ama
E me detenho atordoado.
Hora de ir pra casa e preparar o jantar e escutar as românticas notícias da guerra pelo rádio.
Todo o movimento pára e eu caminho na tristeza intemporal da existência.
Ternura escorrendo entre os prédios
As pontas dos meus dedos roçando o rosto da realidade.
Meu próprio rosto sulcado de lágrimas
No espelho de alguma vidraça – no crepúsculo –
Quando não sinto mais qualquer desejo.
Confuso por causa do espetáculo ao meu redor,
O homem batalhando nas ruas
Com pacotes, jornais, gravatas, ternos maravilhosos,
Rumo a seu desejo.
Homens, mulheres, uma torrente nas ruas
Luzes vermelhas disparando apressados relógios e movimentos nas esquinas.
E todas essas ruas levando,
Tão intricadas, buzinadas, alongadas
Para avenidas espreitadas pelos altos prédios.
Carros e motores berram até chegar a esse campo, esse cemitério, essa quietude
De leito de morte"

Allen Ginsberg

domingo, 23 de dezembro de 2007

domingo à noite

Uma bagunça.
Cigarras gritam sem serem ouvidas - e pessoas fingem que está tudo bem.
Presentes. Correria. Os ponteiros andam completando sua viagem rápido demais ultimamente.
Tatuagens e crianças bêbadas.
Alargadores. Machos. Frio.
Ventania colorida. Alucinógenos.
Eu passo por passar.
Nada.
Afogados desistidos.
Gente fétida.
Gente. De muitos tipos.
E, mesmo assim, ninguém.
Vazio.
Figuras. Recortes. Colagens.
Cheiros insípidos.
Sigo por seguir.
Sem água, sem saliva, sem amor.
Só há a lua muito grande,
Que queima e acalma;
Que arde e enfurece o mar;
Que brilha um brilho roubado.
Encanta sem ter encanto algum.
Linda e fria. Largada ali.
Sozinha.
Mas ela não se importa.
Assiste ao caos indiferentemente.
Então porque eu deveria ligar?
Eu não me importo.
(na verdade, eu só finjo. Mais uma vez...)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Julieta sem Romeu

Julieta nunca sentiu-se tão cansada.
Passou grande parte da sua curta vida vivendo-a intensamente; sendo feliz a sua maneira.
Durante muito tempo procurou compreender-se para então encarar o mundo. Permaneceu dentro de si até estar segura o bastante.
Ela tinha olhos escuros e fracos; meigos, de tão grandes. A grandeza deles combinavam - e até quase rimavam - com sua boca fina, delicada e bem desenhada, que nunca fora notada.
Ninguém reconhecia a beleza e a poesia que existiam naquele contraste sublime. Julieta era tão sutil que passava despercebida por todo um mundo pífio.
Mas ela não se importava com a indiferença. Estava preparada e sabia que seria feliz sozinha, pois ela tinha tudo o que precisava ao alcance das mãos: imaginação e vontade de viver, uns homens e um pouco de dinheiro que seu pai, que morreu de cirrose por beber demais, deixou escondido pra ela, com medo que a mãe, uma puta velha que gastava o pouco dinheiro que raramente ganhava com seus programas em cocaína e vodka, gastasse tudo antes da filha ter idade pra usá-lo.
As pessoas não entendiam-na. Questionavam-se - já que não tinham mais o que fazer - por que a garota, com uma infância tão difícil, vivia sorrindo e cantando pelas ruas, com um brilho forte e um sorriso amarelo estampando-lhe o semblante terno.
Julieta fazia curso de teatro, morava com a avó, "desperdiçava" tardes fotografando o caos urbano e falava sozinha.
Pintava frases nos muros da vizinhança; frases repletas de sentido que ninguém entendia.
Um dia mandaram interná-la. Alegando insanidade da parte da pobre garota feliz.
Ela está agora num quarto do manicômio de sua cidade, dopada, por viver num mundo louco demais pra ela.

empty

Por que me olhar de longe, se você pode se aproximar? Dar mais alguns passos. Andar mais alguns metros até mais perto. Por que ficar na margem, se você pode arrancar seus sapatos apertados e pisar na primeira onda? Sentir o frio nas canelas. Nos joelhos. Na cintura. Por que ficar distante, me enxergando apenas todo azul, calmo, perfeito, se você deveria saber que, no fundo, minha água é suja. Grossa. Mal cheirosa. Que o meu sal, aos poucos, estraga. Mancha. Corrói. Por que me olhar de longe, se você poderia mergulhar? Descobrir de uma vez por todas que, de perto, eu sou outro.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Ctdn

Vou tomar um banho, prender meu cabelo, passar protetor solar, enfiar meu tênis velho que tem a forma do meu pé (e que eu sei que vai encher de água por causa das poças que restaram da chuva eterna de ontem) e sair pra espairecer.
Amanhã é sexta e eu não vejo a hora do sábado chegar.
Eu quero ficar perto de tudo que acho certo, até o dia em que eu mudar de opinião. A minha experiência, meu pacto com a ciência, o meu conhecimento é minha distração.
Eu gosto do meu quarto, do meu desarrumado; ninguém sabe mexer na minha confusão. É o meu ponto de vista, não aceito turistas. Meu mundo 'tá' fechado pra visitação.
O medo mora perto das idéias loucas.
Eu corto os meus dobrados, acerto os meus pecados, eu vejo o filme em pausas, eu imagino casas, depois eu já nem lembro do que eu desenhei.
Às vezes dá preguiça, na areia movediça, quanto mais eu mexo mais afundo em mim.
Eu moro num cenário do lado imaginário, eu entro e saio sempre quando 'tô' a fim.
As noites ficam claras no raiar do dia...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Da discreta alegria

Longe do mundo vão, goza o feliz minuto
Que arrebataste às horas distraídas.
Maior prazer não é roubar o fruto
Mas sim saboreá-lo às escondidas.

Mario Quintana

sábado, 15 de dezembro de 2007

It's all about

Sobreviviam a dificuldades. Era muita coisa em comum. Vontades, anseios, o futuro, os gostos; e o melhor - ou pior - de tudo, as mentiras.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

um gato de rua.

Foi como num jogo.
Ela me cutucou e eu o vi.
Sorrindo, despretensiosamente. Olhando nos meus olhos que não olhavam os dele.
Paramos. Nos encaramos.
Ele seguiu. E eu o segui; sem querer, era meu caminho.
Ele ficou brincando com os amigos, no meio da rua. E minha vontade era gritar pra ele sair de lá antes que morresse atropelado. Eu não o fiz, mas ele saiu. Um alívio.
Começou a chover. Mas não era daquelas chuvas que encharcam. Era só mais uma garoa forte o bastante para levantar o "frizz do cabelo".
Fui me esconder. Estava frio, eu não ia voltar pra casa tão cedo e não queria me molhar.
Ele conseguiu trazer um pouco de verde aos meus dias cinzas.
Ele era dono de si, de mim e do resto do mundo.
O perdi de vista.
Ela me cutucou de novo, dizendo que ele estava voltando.
O encarei, desta vez sem reciprocidade.
Atravessei a rua sem prestar atenção.
Alguém me chamou. Esperançosa, olhei com olhos chamuscando desejo.
Ah! não era ele.
Mas ele estava ali, parado, me olhando de novo. Depois, foi embora, com outro alguém.
O perdi de vista pela segunda vez. O perdi de vista pela ultima vez naquele dia molhado, frio e sozinho.
E o miado dele ainda ressoa... ecoa... no vazio do meu espírito vadio que nunca aprende que gatos de rua nasceram pra não ter donos; que gatos de rua nasceram pra estragar a vida dos outros por um pouco de comida.

incolor

Existe sempre mais de um caminho. Você não escolhe.
Se passa entre pinheiros na sua mais bela forma ou entre árvores carentes de folhas verdes, pouco importa, porque o tempo segue e você não escolhe.
- Mais um, por favor.
Fumaça. Desenhos pintados pelo descaso de outros. Um colorido em preto e branco. E falta a cor de hortelã.
- Vejam como os olhos dela parecem triste. Coitada.
Náuseas.
"Esse cheiro de gente acaba comigo."
As mesmas caras e os mesmos assuntos. Risos forçados. Sorriso muito amarelo. Olhar sem brilho e sem vontade. Seco. Estático.
- Mais um, por favor.
Passos seguem rápidos. Insípidos. Desafortunados. Um grande teatro a esgoto aberto. Fede a futuro previsível.
Salvaram-lhe um dia vazio, devolvendo-lhe carência, necessidade, vontade.
"Ele nem olhou pra mim."
A chuva cai e molha e leva e seca e cai. O caos. O ciclo sem fim. Acabou.
O universo não é eterno. As estrelas queimam e cegam.
"Eu deixei as lágrimas dos outros molharem minhas asas de papel."
- A conta!
Pobre, tornou-se indiferente e nem amar sabe mais.
Ela pouco se importa se ainda é primavera...
Não faz diferença, porque não existe mais cor.




quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Lázaro

Jesus retira Lázaro do túmulo. Lázaro sai meio cego pela luz. Vê vultos que tampam o nariz; o ar puro lhe permite comparar: ele fede a defunto. Não resta dúvida, morreu e vive novamente. Diz um "valeu, Cristo" e vai pra casa contrariado. À mesa, ao comer, sente que coloca em si recheio para os vermes que voltarão um para devorá-lo. Ele os viu, famintos, quando iam jantá-lo, coisa que não tiveram tempo. Lázaro tenta voltar à vida normal. Perguntam-lhe se ele fez a passagem, como é o lado de lá. Lázaro desconversa. A noite cai. Lázaro na cama confortável de sua casa não consegue mais dormir. Tem saudades da cova. sai e caminha até onde foi enterrado e, num revés do parto, volta ao útero da morte.

Nani
(Humor Politicamente Incorreto)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007


Eu odeio dias vazios.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Tá quente, tá chato e me falta inspiração.
Sejam bem-vindas, férias.
¬¬

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Aaaaaaaaaah!

Hoje é um daqueles dias insuportavelmente chatos e quentes.
Aquele em que você quase pira por não ter o que fazer, por não ter com quem falar, por não saber se expressar, por muitos nãos!
É terrível não conseguir fugir porque não há lugares pra onde ir. Porra! preciso de umas overdoses culturais e entrar num coma induzido por alguma coisa pra correr desse mundo insano em que ninguém mais sabe falar a verdade e onde todo mundo gosta de foder com todo mundo por simples narcisismo!
É querer demais pedir pra passar um tempo a mais sendo feliz sem precisar se preocupar com todo o resto profano que anda circulando pelas ruas jogando palavras sem sentido ao vento porque ninguém consegue mais escutar ninguém porque estão todos muito preocupados com seus próprios "bigos"? Eu acho que não. Mas o que eu acho não vale.
Foi realmente engraçada essa madrugada. Discussões malucas sobre deus, sobre o sangue de deus, sobre o que estaríamos fazendo no sangue dele e sobre o universo espelhado e heroína e fungos assassinos que tomam conta do cérebro das formigas. Discussões sobre onde estaria John Lennon - se ele estaria nos olhos de deus e o que ele estaria enxergando se estivesse lá - e discussões sobre como seria idiota contar isso algum dia pra alguém... Mas eu conto, pra quem quiser e pra quem não quiser ouvir (ler) porque eu to pouco me fodendo!
Estou escrevendo e pensando de um jeito muito rápido; não consigo nem acompanhar meus próprios pensamentos, quem dirá o mundo lá fora. E a unica coisa que me falta dizer é "Thanks, Jack"
Hahahahahahahaha, Beat! Beat! Beat!






THERE'S TIME TO KILL TODAY!
('cause I got a man makes me want to kill!)

Eu cansei muito mesmo desses limites que me foram impostos e que por pura falta de coragem - e por puro excesso de preguiça - eu não consigo transpor. Preciso me libertar de todos esses dogmas.
Então agora só me resta escutar musica, torcer pra que o ventilador não caia na minha cabeça e esperar para ser salva, já que, até agora, não descobri como fazer isso por mim mesma.
Sou uma medrosa. Uma medrosa que precisa emagrecer e parar de acreditar em tudo que lhe dizem.


oh so wrong my lovin goes
under the fog fog fog
and I believed them all
well I'm just a poor little baby cuz
well I believed them all

I wish I could buy back
the woman you stole
Ycontrol Ycontrol
you walk walk walk walk walk my winners
out of control
high control
you walk walk walk walk walk my winners out

domingo, 9 de dezembro de 2007

the end has no end

Hoje eu terminei de ler um dos livros mais loucos e rápidos que já li nessas minhas 15 primaveras - On the Road, a Bíblia da geração Beat.
A história é tão alucinante que faz seu coração pulsar como os de Dean e Sal, em meio a um continente inteiro de incertezas.
Eles viajam os estados unidos inteiros, confrontando visões do mundo com outros viajantes e conhecendo gente muito interessante pelo caminho. Sal e Dean tornam-se grandes amigos, passando por momentos difíceis juntos e separados, sugando toda a vida que têm direito.
Kerouac - o autor - faz seu instinto aventureiro vir à flor da pele, te enchendo de vontade de viver a vida de verdade, sem restrições ou preocupações.
Vale a pena ler até o posfácio. O livro inteiro encanta.
É como se antes dele nada fizesse tanto sentido, porque ele explica que não precisa haver sentido algum... é só seguir a estrada.
É engraçado como ainda existem tantas coisas a serem descobertas, tanta história bonita a ser lida, tanta vida pra se viver. E o negócio é colocar o pé na estrada, conhecer, aventurar-se, e viver feito um louco.

"De novo, só o que tenho a dizer é: thanks, Jack."

Time

Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an offhand way.
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way.

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain.
You are young and life is long and there is time to kill today.
And then one day you find ten years have got behind you.
No one told you when to run, you missed the starting gun.

So you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
And Racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death.

Every year is getting shorter, never seem to find the time.
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desparation is the English way
The time is gone the song is over, thought I'd something more to say

Pink Floyd

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Let's Go ?

Arco-íris.

Nuvens tristes desfaziam-se em lágrimas insípidas, assistindo a um grande teatro de marionetes.
A água escorria pelas ruas sujas, levando todas as impurezas possíveis para o esgoto, mas mesmo assim deixando um mundo imundo às suas costas.
As pessoas andavam apressadas, desviando da água empoçada e protegendo-se - mesmo que muito pouco - com guarda-chuvas enferrujados, furados, rasgados e tortos, criando um belo show de telhados negros perambulando pelo dia molhado.
Amelie corria, espirrando água na barra de seu vestido que outrora fora branco como as nuvens felizes dos dias ensolarados. Passava pelas poças sem se preocupar com o resto do mundo.
A chuva batia em seu rosto com força, quase rasgando-lhe as bochechas rosadas. Trazia os olhos semi-serrados, abertos o suficiente para enxergar o caminhos e um pouco fechados para diminuir o números de pingos assassinos que queriam invadí-los.
Um sorriso de satisfação iluminava-lhe a face. Amelie não era muito bonita, mas aquela chuva tornou-a a garota mais fascinante da cidade!
Antônio estava parado em frente a uma padaria, protegido pelo toldo azul com listras brancas. Tinha saído pra almoçar e a chuva pegou-o de surpresa - estava sem guarda-chuva. Havia muita coisa pra fazer no escritório, e a tempestade parecia não abandonar o dia tão cedo. Estava criando coragem para sair na chuva e voltar ao trabalho - todo ensopado, mas a tempo de terminar suas tarefas.
Observava indiferente a movimentação frenética de sapatos molhados e passos rápidos. Bocejava constantemente. Suas costas doíam e seu corpo estava cansado de ficar alí, parado, em pé, esperando que as nuvens parassem de chorar...
Já estava na terceira latinha de coca-cola. Bebia só por não ter o que fazer. Estava exausto e o dia mal começara.
Amelie era livre e passou correndo por Antônio, que a seguiu com os olhos invejando sua liberdade e despreocupação.
Eles não perceberam o quanto se completavam. Ela precisava de segurança e ele, de um pouco de loucura.
O óculos de Antônio embaçou. Amelie sumiu no meio de um mar de gente. A chuva parou. Antônio seguiu seu caminho.
Só restou um amor perdido em um dia de chuva e o arco-íris de óleo que os carros deixaram no asfalto.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Contradizendo os fatos

Contradizendo os fatos, as rosas andam um tanto roxas.
Os abraços muito separados, e os sorrisos andam tristes.
Percebe?
Andam longas as noites, curtos os dias, escassas as tardes e raros os fins de semana. Já não sei mais viver; existo, apenas.
E de existir reparo; andas longe, muito longe. Triste, mas está sempre ao meu lado. Não seja boba, já estamos perto demais um do outro pra ficarmos assim tão separados.
Me abraça, me beija, chega aqui e sinta; eu também estou aqui e não te deixo! Me abraça, me beija e se possível, querida, me ame também. Não acho que o sol reclamaria de brilhar um pouco menos que nós.


Iuri,
um grande amigo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

sinos

Depois de um ano, fui perceber que ao lado da minha escola tem uma igreja, e os sinos dela batem ao meio-dia, gritando que estamos livres!
Ora, eu nunca havia reparado neles.. e eles têm um som muito bonito... poético até... ou, vai ver, é só o espírito natalino me invadindo.
Espero que as coisas continuem boas como estão.
Estou fluindo como nunca!

On the Road (II)

"Que sensação é essa, quando você está se afastando das pessoas e elas retrocedem na planície até você ver o espectro delas se dissolvendo? - é o vasto mundo nos engolindo, e é o adeus. Mas nos jogamos em frente, rumo à próxima aventura louca sob o céu."



Jack Kerouac

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Na velocidade da Luz

Isso é realmente engraçado; e me soa um tanto quanto patético demais.
De repente eu olho pro lado e, vupt, passou mais um ano; rápido o bastante pra eu nem perceber.
Ele correu, esbarrou em mim, me derrubou e nem em ajudou a levantar.
Foi embora sem deixar rastros; a não ser as boas lembranças que batalho pra não esquecer.
Ótimo. Proveitoso. Um dos melhores.
Gente nova, gente antiga, pensamentos renovados, idéias vomitadas; tudo vivendo em perfeita harmonia.
Não me arrependo de nada que fiz esse ano. Nada!
E nem das coisas que deixei de fazer... que não foram muitas.
Percebi que minha vida me pertence e que eu sou dona dos meus atos e sou a unica que pago por eles, então não tenho que ouvir o que os outros falam e nem ficar mal pelo que deixaram de falar...
Algumas pessoas tornaram-se realmente importantes pro sorriso continuar contraindo-me os lábios, outras - que faço questão de que sumam da minha vida o mais rápido o possível - estão se desintegrando aos poucos no fundo do meu estômago. Um dia as coloco pra fora, todas, de uma só vez.. e eu não vou me importar se sair um pouco de sangue junto!
Existe um misto de satisfação e desejo estampados na minha cara.
Espero 2008 de braços abertos... e que venha tudo aquilo que eu desejo!

domingo, 2 de dezembro de 2007

On the Road

"Ela jamais me compreenderia; gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de uma estrela cadente para outra até desistir. Assim é a noite, e é isso o que ela faz com você, eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão."

Jack Kerouac

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

nada de mais

Eu nunca gosto de jogar o tubinho de creme dental fora; sempre parece que ainda tem pasta de dente lah dentro pra você dar mais umas 3 escovadas!
É mais ou menos isso que acontece com tudo que passa na minha vida. Desde pedacinhos de papel rabiscado a pessoas. Não consigo me desvencilhar de nada... nem de ninguém.
Por mais que, agora, pareça que não posso mais fazer nada com isso ou aquilo, sempre me resta um sentimento de que se eu me desfazer vou acabar me arrependendo.
Poxa, eh só dá uma apertadinha a mais e pronto, sai a pasta e enche a escova. Faz espuma e te deixa com um hálito refrescante.
Por isso resolvi aproveitar tudo que tudo tem a me oferecer. E eu pouco me fodendo se, pra você, isso é vazio. Aproveitar até o ultimo centímetro cúbico!

Minha irmã fez um bolo de chocolate enorme, com cobertura, granulado e tudo o mais.
Mas não deixou eu comer nem um pedaço; o levou inteiro pro "ensaio da banda".
Ela tem um namorado feio e chato... e tem amigos igualmente insuportáveis, que pouco se fodem pra ela.

Prefiro oferecer aos meus queridos meus nuggets queimados e congelados – sim, queimados e congelados ao mesmo tempo! - e continuar com minha vida de cabeça pra baixo, sem ser prendada e adorável; minha vidinha de garota que sangra, mas vive.

*escutando nirvana, o que não faço há séculos.

*criando coragem pra ir dormir. Pode parecer estranho, mas I'm so tired I can't sleep

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

orgulho desfragmentando-se

Não gosto de dizer essas coisas; não sei, então, por que as escrevo.
Me tornei dependente, sim. Dependente de muita coisa, de muita gente, de mim. Sentir-me sozinha, agora, tornou-se motivo pra quase enlouquecer.
Momentos de cólera me levam à beira do precipício, e dali de cima eu posso ver o quão bom é estar completa, mesmo com o vazio me esperando, logo ali.
Então, eu só me preocupo em dar um passo pra trás, virar e dar de cara com tudo que está me esperando nesse exato momento.
Porque o nada não faz mais parte de mim. Não agora. E o agora é o que importa.
E é só quando o orgulho acaba que podemos dizer que somos felizes porque existem pessoas que nos fazem felizes.
e como diria minha professora de biologia: Nenhum animal pode viver sozinho, exceto Dalton Trevisan.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

vícios e virtudes

João já estava quase todo calvo e, por isso, orgulhava-se de seus últimos fios de cabelo, os quais penteava frenética e roboticamente todas as manhãs, em frente ao espelho semi-embaçado depois do banho quente de todos os dias.
Maria só usava vestidos abaixo do joelho há um bom tempo. Pintava os cabelos de cinza pra não tê-los todos brancos. Maquiagem forte pra esconder as rugas de toda uma vida. Fazia um arroz como ninguém.
Ele dormia sentado no sofá, esperando pelo café da manhã que Ela fazia com todo o amor.
Se conheceram no bingo. João foi jogar, porque já tinha bebido demais, e Maria era uma velha viciada que estava lá todos os dias e dava em cima de todo velhote que ganhava mais na noite. Naquela noite, o 'felizardo' foi João.
Ela, como sempre, pagou-lhe um drink e o levou prum motel.
Fizeram amor a noite toda, como animais. Gritavam, bêbados - compraram muitas garrafas de alguma coisa com o dinheiro que João ganhou na noite.
Depois, ele pagou uma café da manhã reforçado pra desconhecida.
Maria, sem querer, apaixonou-se pelos olhos azuis de João... e ele, pelas coxas firmes de Maria, que mesmo aos 62 anos estava "em forma".
Resolveram largar a vida que levavam e foram morar na casa dele, já que ela vivia com a familia a filha.
João trabalhava no banco há uns 40 anos e não aguentava mais, mas, por causa da imensa burocracia, não conseguia aposentar-se. Sem filhos, ou qualquer outra pessoa que pudesse sustentá-lo, trabalhava, mesmo tendo já 65 anos e uma vista debilitada.
Maria recebia uma pensão pela morte do marido, causada por um vazamento de produtos químicos de alguma empresa.
Viviam em perfeita harmonia. Maria adorava gatos; eles tinham uns 4. João gostava de bermuda com elástico, por achá-las mais confortáveis; Maria não ligava se eram feias demais.
Faziam compras no supermercado, tomavam suco natural todos os dias e passavam a tarde conversando sobre o céu, ou os pássaros, ou o jardim.
A noite era sempre o mesmo ritual; A janta, os dentes, o copo d'água e o beijo de boa noite.
Com o tempo já não sentiam mais tesão um pelo outro, mas estavam seguros ali. Certos de que morreriam juntos, não conseguiram mais se separar. Viviam uma grande mentira por comodidade, por conforto, por conformismo.
Maria falava que ia à missa e João dizia que ia jogar baralho na casa do vizinho, que era um pastor de igreja evangélica carrancudo.
Ele tentava não ficar muito bêbado e ela procurava não gastar todo o dinheiro.

Não pode ser

Por favor, escorra.
Não posso estar.Não posso estar.
Não estou.

Preciso de um abraço.
Preciso me sentir segura.
Preciso me confessar - e não, não falo de um padre.
Preciso dormir.
Minha vista está embaçando...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

The Rival

If the moon smiled, she would resemble you.
You leave the same impression
Of something beautiful, but annihilating.
Both of you are great light borrowers.
Her O-mouth grieves at the world; yours is unaffected,

And your first gift is making stone out of everything.
I wake to a mausoleum; you are here,
Ticking your fingers on the marble table, looking for cigarettes,
Spiteful as a woman, but not so nervous,
And dying to say something unanswerable.

The moon, too, abuses her subjects,
But in the daytime she is ridiculous.
Your dissatisfactions, on the other hand,
Arrive through the mailslot with loving regularity,
White and blank, expansive as carbon monoxide.

No day is safe from news of you,
Walking about in Africa maybe, but thinking of me.



Com todo o sentimento que me é direito
e que eu nem sei como nomear,
dedico-lhe este fragmento de Sylvia Plath,
que retrata o meu olhar sobre ti,
como eu jamais seria capaz de fazer.
Ao meu querido garoto dos olhos de caleidoscópio
e do sorriso sincero mais doce que existe
Da tua Colombina.

Olmo

A lua, também, não tem pena de mim: me arrastaria
Cruelmente, sendo estéril.
Seu esplendor me fere. Ou talvez eu a tenha pego.

Eu a deixo fugir. Eu a deixo fugir
Minguada e chata, como se depois de uma cirurgia radical.
Como seus pesadelos me possuem e me adornam.

Sou habitada por um grito.
Toda noite ele voa
À procura, com suas garras, de algo para amar.

Tenho medo desta coisa escura
que dorme em mim;
O dia todo sinto seu roçar suave e macio, sua maldade.

Nuvens passam e dispersam.
São essas as faces do amor, pálidas, irrecuperáveis?
É por isso que agito meu coração?

Sou incapaz de mais conhecimento.
O que é isto, esta face
assassina em seus galhos sufocantes? ---

Seus venenosos ácidos sibilam.
Petrifica o desejo. Estes são os erros, isolados e lentos
Que matam, matam, matam.

Sylvia Plath

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Talvez a emoção se torna tão intensa que transborda do corpo... Sua mente e seus sentimentos tornam-se poderosos demais... E seu corpo chora.

domingo, 25 de novembro de 2007

desilusões




Oh, dois grandes olhos vazios.


Tornei-me teu refúgio.


Corres a mim quando todos os outros abismos te repudiam,


pois sabes que nunca olharei pra dentro de ti com medo de me perder.


Prefere teu Sol amarelo, que te dá calor e atenção todos os dias,


e quando anoitece e ele te esquece, procura-me.


Sou atenta a todos os amantes da luz da lua,


que ilumina os despretensiosos


e se apaixona por sorrisos sacanas.


Desculpe-me, mas nunca menti olhando pra ti.


Agora vá!


E, por favor, apague a luz e deixe-me brilhar.


Cinzas ensanguentadas.

Aproximei-me rápido demais.
Deixe-me levar pelo brilho e pelo calor.
E agora, cega estou;
e com minhas asas de sangue queimadas.
A Luz era forte e quente e azul púrpura;
imitava o infinito como num jogo de espelhos.
Encostei meus dedos e os perdi.
Minhas mãos fervem em fúria
e meus olhos não mais sentem.
Aproximei minha língua. Apodreceu.
Meus tímpanos explodiram e o olfato desgastou-se.
Não me restam sentidos.
Agora derramo lágrimas venenosas,
que me escorrem à boca
e me beijam como a morte.
E os dentes amarelos rangem.
Há dor, incompreensão, medo.
Depois, tranquilidade, silêncio.
Há cinzas e penas vermelhas.
A Fênix renascerá!
E com ela vou reaprender a voar.

sábado, 24 de novembro de 2007

Life on Mars

Então, vem cá me dá a sua língua

Então vem, eu quero abraçar você

Seu poder vem do sol

Minha medida

Então vem, vamos viver a vida

Então vem, senão eu vou perder quem sou

Meu amor, não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul.

David Bowie por seu Jorge

Às vezes eu sinto uma coisa, uma coisa boa, que me invade e me faz esquecer que existe o resto. Sou só eu e o vento. Eu e os olhos que tudo vêem.
Às vezes eu só preciso disso; de um pouco de paz, de anestesia.
Às vezes eu só preciso de um pouco de carinho, de compreensão, de mãos roçando-me os cabelos e de palavras soltas acalmando-me.
Às vezes eu só preciso. E só.

Perdida

Sinto-me febril;
Ardente, desnorteada.
Perdida nesse mundo vil.
Onde ninguém me pertence e eu não pertenço à nada.

É como se, cada vez mais, eu me enterrasse.
E herdasse de tudo apenas o cinismo.
Por mais que tudo isso um dia passe
Procuro guiar-me pra beira do abismo.

Mergulhar na dúvida é inevitável.
Escorregar no breu parece confortante.
Não me existe lado afável.
Sou um todo frio, indiferente e arrogante.

Desculpo-me pelas falhas cometidas.
Peço perdão à mim e às outras personalidades.
Falhei e agora sentimo-nos perdidas.
Fujam de mim e procurem tuas realidades!

Não existo. Escondo-me. Padeço.
Não sintam pena de mim!
Se não sentirem, agradeço.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Assassina

Eu não possuo mais o brilho inocente no olhar.
Nem as mãos limpas. Nem as costas firmes.
Corro sem rumo, guiando-me pra algum lugar longe demais pra ser visto.
Arrasto-me tomando a água suja da chuva de veneno.
Passo os dedos pelos cabelos... e eles caem.
Imundo-me pisando na lama da incompreensão.
Toco-me e tudo dói.
Meu pulmão sai pelos olhos.
O estômago tem um buraco maior que a boca.
A coluna desviada arde.
Escorre algo aqui dentro, que queima, que entorpece, que faz a dor ficar tão forte a ponto de parar.
Mas pára de escorrer. Rápido o bastante para me deixar com vontade mais.
Encontro-me inerte em meio a um turbilhão de pássaros cinzas que cospem mentiras no meu esôfago, como que para um filhote suplicante de conforto no ninho frio e sozinho.
É hora de usar minhas mãos sujas e fechar meus olhos não inocentes.
Matei-me.

mais uma farsa

O salão estava bem decorado; de um bom gosto incrível. Toalhas vermelhas faziam um belo contraste com as flores brancas. Pessoas da alta sociedade, muito elegantes e adoráveis, desfrutavam de um belo jantar beneficente, acompanhado de um leilão de desenhos feito por crianças pobres - aquela mesma história de sempre.
Ela saiu primeiro, sem ar. Ele veio logo atrás. Os dois precisavam sair de lá. Sentiam-se presos, abafados. Pensaram, por coincidência, que o ar de fora estaria mais respirável.
A noite estava muito melhor do outro lado. Escutava-se o tumulto quase baixo que vinha de longe, do salão, e podia-se contemplar um show de luzes piscantes na relva orvalhada que envolvia o local. Cheiro de terra molhada. Acabara de chover. Temperatura e umidade perfeitas para qualquer coisa.
Ele encontrou-a de costas, fumando com pose de puta. Ficou doido. Pegou-a pelos cabelos e virou-a em sua direção.

Ela tinha os olhos verdes e ele, um sorriso amarelo. Ambos perfeitos representantes da classe alta. A mulher usava um vestido um pouco acima dos joelhos. Negro, combinando com a noite e com os cabelos soltos. O homem, o de sempre.
Encararam-se por muito tempo. Existia desejo nos olhos brilhantes e nos lábios entreabertos. Não existia mais nada além deles. Era só o momento, os grilos, e o misto de tesão e ansiedade.
A lua brilhava com metade de todo o seu potencial; haviam estrelas no céu e uma brisa suave balançando-lhes as roupas e os cabelos..
Ela deu o penúltimo trago. ele fez o favor de terminar com o cigarro. Soltaram as fumaças para lados opostos e permitiram-se.
O vestido um pouco curto facilitou o ato. Ela encostou-se, precisava de apoio. Ele era bom naquilo. Ela não sabia, até então, pra que servia seu corpo.
Derramaram algum bálsamo interior juntos. Frenesi desconcertante. E sem bagunçar o penteado ou amarrotar as roupas.
Ele tinha gosto de coisa velha e ela o beijo um pouco rápido demais. Mas não importava.
- É melhor voltarmos ao jantar. Vão sentir a nossa falta.
- É, você está certa.
- Obrigada pela noite, desconhecido.
- Por nada.
Voltou cada um ao seu respectivo lugar - longe um do outro, com os olhos culpados e um sorriso de satisfação contraindo-lhes os lábios.
Ela beijou o marido e disse que estava melhor.
Ele serviu um pouco de vinho à sua mulher, comentando como ela era a mulher mais bonita daquele jantar.
E os amantes de uma noite nunca mais se falaram.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Amor de Restaurante

Eu já estava à mesa havia um bom tempo; rodeado de amigos, cigarros e garrafas de cerveja - algumas vazias e outras ainda cheias.
Elas tinham um papo interessante - as pessoas e não as garrafas.
Elas me faziam gargalhar e esquecer que ainda era terça-feira - as garrafas e não as pessoas.
A música me perturbava, mas eu estava quase deixando de me importar com ela.
O local era amplo e encontrava-se vazio. Ainda era cedo, só meus amigos e eu estávamos "alegres", falando alto e gesticulando com muita animação.
Era um restaurante frequentado por pessoas que vira e mexe desfrutavam de uma "happy hour" no meio da semana, pra aliviar de todo o "stress".
Eu tinha comido uns aperitivos e esperava ansioso pelo prato principal; estava na 4ª garrafa de cerveja e com um imensa vontade de ir ao banheiro.
Conversa vai, bebida vem, mais alguns "croquetezinhos" e ela entra. Óculos escuros, pisadas fortes como a expressão facial, pernas finas e maiores que o normal. Cabelos lisos, longos e castanhos, caindo pelos ombros nus, brancos e ossudos, onde aparecia um pedaço na tatuagem que, na minha mente fértil, estendia-se pelo resto das costas que também deveriam ser brancas e ossudas. Trazia, entre o braço e as costelas, uma bolsa grande que combinava com seus sapatos de verniz.
Sentou-se na mesa mais afastada da ala dos fumantes; bem embaixo de um quadro de rosas vermelhas, com 3 botões, duas flores abertas e outra já despetalada, com as pétalas murchas, da cor do vinho que pedira ao garçom.
Ele trouxe a garrafa de tinto, enchera-lhe uma taça e ia afastando-se da mesa quando os lábios bem desenhados da moça quase suplicaram para que ele deixasse a garrafa inteira.
Ela tinha um aspecto impaciente, e essa foi minha vez de implorar, para que ela não estivesse esperando ninguém - eu ainda tinha esperanças que teria coragem de dirigir-lhe alguns elogios e talvez um convite.
A garota tirou da bolsa um livro de bolso e eu, com a vista já um pouco embaçada, não consegui decifrar o título da obra. Além de bonita, gostava de ler, despertando assim meu mais profundo interesse sincero.
Minhas pernas balançavam embaixo da mesa. A vontade de falar-lhe deixou-me um tanto quanto ansioso demais; eu me desconhecia, não me reconhecia, estava impressionado, apaixonado, louco!
Ela tinha uma postura indiscutivelmente bela e parecia, ali no seu canto sem janela, viver num universo paralelo.
Não tirou os óculos, mesmo não batendo sol onde se encontrava - nem em qualquer outra parte do restaurante. Imaginei muitos motivos: estava com os olhos chorados, ou acordara com olheiras, ou algo que o valha. Não sabia - ainda não sei - só sabia que o mistério que os óculos escondiam deixou-me imensamente excitado.
Serviu-se generosamente de mais vinho, e terminou a segunda taça rapidamente, tornando a enchê-la.
Alguém chamou minha atenção, perguntando se eu concordava com o que acabara de dizer. Fiz que sim com a cabeça, sem desviar os olhos da mulher sozinha no canto.
Deu pra ver de longe suas unhas vermelhas; e eu, de longe, imaginava seu cheiro, seu gosto, sua pele, seu toque. Surpreendi-me pensando em como seria ter uma vida com ela: casa, filhos, televisão, renda estável, um sofá confortável.
Ela era linda. As bochechas fundas exibindo um maxilar retangular e muito liso. A boca tocava a taça com uma leveza fora do comum. Eu podia sentir o vinho esquentando-lhe a garganta e alojando-se confortavelmente em seu estômago - que devia ser belo como todo o resto...
As mãos trêmulas, brancas como a toalha da mesa, seguravam o copo com uma firmeza incrível. A energia dela deixava meu ar repleto de eletricidade, fazendo-me ficar desnorteado. Era como se minha eternidade tivesse se instalado na língua que degustava o líquido cor-de-sangue.
Achei, por um segundo, que a amava; depois, quando vi que ela despejava o ultimo gole de vinho na taça, tive certeza.
Chamei o garçom, pedi que desse de presente à moça outra garrafa do mesmo vinho, dizendo o desprezível clichê de que era de um admirador secreto.
Ele o fez. Li que os lábios dela diziam "obrigada", mas ela fez que não podia aceitar e levantou-se, deixou o dinheiro em cima da mesa e saiu, com pisadas fortes, sem olhar pros lados, da mesma forma que entrou.
Pensei em ir atrás dela, mas limitei-me a imaginar qual seria a cor de seus olhos.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Lady Lazarus

Tentei outra vez.
A cada dez anos
Eu tramo tudo
Um tipo de milagre ambulante,

minha pele brilha como um abajur nazista.
Meu pé direito um peso de papel
Face sem feições, fino linho judeu.
Livre-me dos panos!

Oh, meu inimigo. Eu te aterrorizo?
O nariz, as covas dos olhos, os dentes postiços?
O hálito azedo some num só dia.
Logo logo a carne, que a caverna carcomeu,

vai voltar pra casa, em mim.
Sou uma mulher que sorri.
Não passei dos trinta. E como um gato tenho nove vidas.
Esta é a Terceira. Que besteira! Se aniquilar a cada década.

Milhões de filamentos!
A platéia comendo amendoins se aglomera para ver
Desenfaixaram minhas mãos e meus pés

O grande strip-tease!
Senhoras e senhores, eis minhas mãos, meus joelhos.
Posso ser só pele e osso, mas sou a mesma, idêntica mulher.
Na primeira vez tinha dez anos. Foi acidente.
Na segunda tentei acabar com tudo e nunca mais voltar.

E rolei, fechada, como uma concha do mar.
Tiveram de chamar e chamar
E arrancar os vermes de mim como pérolas grudentas.
Morrer É uma arte, como tudo o mais.
Nisso sou excepcional!
Faço isso parecer infernal. Faço isso parecer real.

Digamos que eu tenha vocação.
É fácil demais fazer isso na prisão.

É fácil demais fazer isso e ficar num canto.
É teatral voltar em pleno dia ao mesmo local, à mesma cara, ao mesmo grito,
Brutal e aflito:
"Milagre!". Que me deixa mal.

Há um preço para olhar minhas cicatrizes,
há um preço para ouvir meu coração. Ele bate forte.
E há um preço, um preço muito alto

Para cada palavra ,ou um toque, Ou uma gota de sangue,
Ou um trapo, ou uma mecha de cabelo.

E então, Herr Doktor. E então, Herr Inimigo.
Sou sua opus. Seu tesouro.

Seu bebê de ouro puro que se derrete num grito.
Ardo e me viro.
Não pense que subestimei sua imensa consideração.
Cinzas, cinzas. Você remexe e atiça. Carne, ossos, não há nada ali.
Barra de sabão, anel de noivado, prótese de ouro.
Herr Deus. Herr Lúcifer. Cuidado!Cuidado!
Renascida das cinzas, subo com meus cabelos ruivos e como homens como ar.


Sylvia Plath
(eis o meu preferido.)

fugir do destino

Não deixe o breu esconder toda a cor dos olhos.

Existe muito além do precipício.

Um passo pra trás, pronto, agora saia correndo.

Vá! para longe, onde os teus demônios não possam te encontrar.

Mergulhe no poço, porque lá no fundo a água é limpa.

E o musgo faz a transparência ficar verde.

Todo o verde refletido pelo que te resta.

O verde é tudo que resta.

Seus olhos.

E eu termino aqui.

Ou aí. Ou ali.

Eu sou o seu precipício.

Ou eu sou o fundo do poço.

A escolha é tua.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

catalizando o perfume do enunciado parido à forceps,

rascunho na pele êxtases e abismos,

rebento em desordem,

vulcanizo os parênteses,

excedo o passo,

mergulho no açude,

e abro a comporta.

Floresço orquídeas.

"O meu mundo não é como o dos outros. Quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!”

Florbela Espanca

Complexo de Alice

Escuridão. Sono. Sol aparecendo. Olhos latejando. Calor. Balanço. Estrada correndo. Silêncio. Estrada correndo. Solidão. Oscar Wilde. Pessoas. Passos. Solidão. Bons Dias. Sorrisos forçados. Ventania. Nuvens de chumbo. Frio. Chuva. Correria. Cabelo molhado. Conversa jogada fora. Cansaço. Tempestade. Tédio. Solidão. Vozes lá fora. Silêncio aqui dentro. Contas. Teorias. Palavras ao vento. Poças d'água. Tênis furado. Meia molhada. Sol. Claridade. Janela com cortina. Sidney Sheldon. Esperança. Chuva. Expectativa. Esperança. Mãos de vidro. Esmalte vermelho. Esperança. Conversa fria. Desilusão. Olhos marejados. Esperança morta. Sidney Sheldon. Banho frio. Arrebol. Histórinhas clichês de amor. Universo conspirando contra mim. Eu nem sei mais quem sou. O dia mudou tanto, e com ele me transformei também. Metamorfose constante. Olhos de verde vídrico. Frios, profundos, vazios. Sorria pra mim, meu bem, e peça um pedaço do meu coração de chocolate.

domingo, 18 de novembro de 2007

Cheiro de terra molhada e nem sinal de chuva.
Estou enlouquecendo!
Desculpem-me.

Do you like me now?

E finalmente ali ele jaz. O convertido no leito de morte. O devasso crente. Dê-me vinho, eu bebo tudo e jogo a garrafa vazia no mundo. Mostre-me nosso senhor Jesus Cristo em agonia e subo na cruz, tiro seus pregos e os coloco em minhas mãos. Aqui vou eu, arrastando-me do mundo, com minha saliva fresca sobre a bíblia. Olho a cabeça de um alfinete e vejo anjos dançando. Então... gostam de mim agora?

The Libertine
assista aqui

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

"O objetivo do mentiroso é simplesmente encantar, maravilhar, dar prazer. É a base da sociedade moderna."

Oscar Wilde

Carla e Jaime

Carlinha pega o pincel, Jaime saca a garrafa de vinho. A música está alta e ela grita para que ele possa ouvir o ‘eu te amo’. O macacão manchado com tinta faz de Carlinha a mulher mais charmosa do mundo aos olhos de Jaime que está levemente descabelado, sem cueca e com um short velho com manchas de gotas de água sanitária. Mesmo assim ele é o homem mais lindo do planeta e ela ama o jeito idiota que ele tem de olhar nos olhos dela e de perguntar mil vezes as mesmas coisas. Jaime sempre esquece a data do aniversário de casamento e Carla sempre manda flores para que ele não esqueça... mas ele sempre esquece o porquê dos girassóis. Ela é romântica e ele é o cara mais distraído que já cruzou o seu caminho. Ele abre o vinho doce, dança esquisitamente e Carla ri. Ele fica olhando enquanto ela pinta cantarolando errado, e no mais alto dos volumes, a música com o seu fio de voz. Ele suspira de felicidade e fala só com os lábios 'eu te amo também e muito'. Carla adora quando ele fala sem som. Ela joga a cabeça para trás, solta uma gargalha que em silêncio, pisca os dois olhos para ele e volta a toda concentração do mundo para os detalhes do seu quadro colorido. Ele desce do sofá e afoito, abraça Carla, beija sua nuca exposta debaixo dos seus cabelos curtos. Ela sente com todo o seu corpo a felicidade daquele momento e assim começa mais uma noite: Carla e Jaime fazem o maior amor do mundo.

Não é meu, mas bem que poderia ser...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

"Adoro os prazeres simples. São o último refúgio das pessoas complicadas."

Oscar Wilde

sexta!

Sexta-feira numa quarta. Eu não podia querer mais nada.
Fim de semana bem no meio! Bem no meio!
! que maravilha!

E pra melhorar ainda mais, minha coleção de marca-páginas está indo pra frente.
5. Já são 5 marca-páginas! Achei o 5º hoje, dentro de um livro que peguei na biblioteca da escola.
Ele não é bonito. Meiguinho demais. Mas é "made in england!" e é isso que importa, hahahahaha.



Agora sou fã de Arsène Lupin.
querendo ter overdose de prazer e de yeah yeah yeahs.
Quem sabe eu consigo os dois?
quem sabe...

e um aviso: não tentem me fazer de idiota!
Vocês acham que me enganam, mas eu sei de tudo, eu guardo tudo.
e uma hora vou cuspir de volta... bem na boca de vocês!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

"A vida é apenas um 'mau quarto de hora' composto de momentos deliciosos."

Oscar Wilde

Charlotte para Eva

Me questiono se realmente tenho vivido. Será que é assim com todo mundo? Ou será que algumas pessoas têm mais talento do que outros para viver? Ou há pessoas que nunca vivem; simplesmente existem? Então o medo me pega e vejo um retrato horrível de mim mesma. Eu nunca amadureci. Meu rosto e meu corpo envelheceram. Adquiri memórias e experiências, mas por dentro nunca nasci.

em "Sonata de Outono" de Ingmar Bergman.

amor inventado


Arregalou os olhos cor de vidro. Visou um alto escuro, longe demais para encostar.
O corpo estava todo rígido, esticado, como se existissem milhares de cãibras o tempo todo!
"Ele é meu. Só meu. De mais ninguém!". E repetia isso à ela mesma, sem trégua, na mente anestesiada, para se convencer disto.
Não sentia nada. Só uma vontade de algo que desconhecia.
Hipnotizada, não tirava o olhar do teto preto. Não sabia distinguir se os olhos abriram-se ou se os mantinha ainda fechados.
Não sabia onde estava. Só sabia de uma coisa: Que ele era dela. Só dela. De mais ninguém.
Mas ele não pensava assim; Ninguém pensava assim, só a pobrezinha, que estava agora sob os efeitos de algo que deixou gosto de coisa amanhecida na sua boca.
Ele estava dormindo. Do lado dela. Mas ela não o sentia. Ele não se sentia.
Ah! As loucuras cometidas pelos dois juntos, pra dividir o peso. Ele roncava, mas ela não escutava. Anestesiada.
Devia ser madrugada ainda. Não entrava luz pela janela, nem por nenhum outro lugar.
Ele era um filhodaputa. Ela também, só que menos escancaradamente.
Eram uns corpos e uns copos extras que quase fodiam com tudo.
Umas outras pessoas que só existiam pra acabar com a paz deles.
Porra, por que elas não ficavam no seu devido lugar, contentando-se em deixar os outros serem felizes?
ah! e eram tantos os infortúnios que o destino preparava que não se sabia como mantinham-se em pé.
E todas aquelas garotinhas inocentemente invejosas. E ele aproveitava tudo que a vida o oferecia.
Ela não achava certo, mas também o fazia.
"Ele é meu!". Sussurrou. "Meu!".
Ele acordou. Virou pro lado.
Encostou nela.
O corpo amoleceu na mão macia, no toque suave.
"E eu sou sua!"
Ele achou estranho uma declaração tão óbvia dessas, mas gostou de saber mais um pouco que a possuía. Deu-lhe um beijo e disse que também era dela, despretensiosamente.
Ela sabia que era mentira. Ele também.
Os dois viraram e tentaram dormir.
Só uma coisa era certa: Amavam-se.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

It's all about

E o amor acontecia. Ele falava coisas bonitas e ela gravava tudo. Tanta coisa a ser vivida, tanta poesia a ser escrita... e os dois existiam juntos, um no outro.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Ninguém É de verdade

Com o tempo você acaba percebendo que as pessoas só tão afim de te foder. Elas são simpáticas, sorridentes e amigáveis, mas não vêem a hora de te dar uma facada nas costas. Elas só esperam você virar e pronto, eis você sangrando tua alma. E lamentando-se por ter sido tão passível, submisso, cego e adorável.
E eu não consigo mais parar de fingir. Acomodei-me à situação e assisto calada à traição escancarada.
Que Wilde me ajude, que meus olhos mintam mais um pouco e que todo o caos que corroe meu ser desapareça e dê lugar ao mais sublime sentimento; o de vingança concebida, o de missão cumprida, o de mentira bem contada. Amém.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Cara Alice,

É com demasiado pesar que digo-lhe que tornou-se quase impossível "largar a mão de sentimentalismo". Acabei descobrindo que possuo um coração, e que tenho nele "todos os sonhos do mundo". E eles me possuem, sim; mas também me têm os olhos tristes, o vento descolorido e o sorriso bonito.
Tento, sempre tento largar tudo e começar de novo, mas fugir do passado é como fugir da chuva quando ela vem vindo, lá longe. Uma hora ela te pega, te encharca de nostalgia e te faz querer de novo.
Confesso que tenho me tornado carente demais; carente de tudo e de todos que me encantam, de qualquer forma. Sinto-me necessitada de compreensão, de entendimento; de me entender e ser entendida pelos outros.
Os outros são o inferno, eu sei, mas eu gosto de arder quando o fogo me nutre.
Eu sou uma cuzona que não consegue resolver seus próprios problemas e acaba se escondendo atrás de amores impossíveis, de paixões avassaladoras, da tela do computador, de palavras jogadas ao vento pra ouvido nenhum escutar.
Eu queria ter sua força, queria poder ser tão resolvida e saber mesmo o que quero ser e ter.
Mas vivo entre o som e o eco, entre o arlequim e o pierrô, entre o abismo e a salvação.
Estou confusa.
Agora, enquanto te escrevo, penso não ser nada. Não quero nada. Não sinto nada. Não tenho nada.
E, como diria uma querida minha, não estar é terrível.

Não esqueça o protetor solar e os óculos escuros. Pro nosso bem.
Sofia.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Destinatário: Sofia.

Chega de se preocupar, de se importar, de pensar que a culpa é tua. A culpa é deles; Todinha deles!
Chega de ficar aí, sentada, esperando que tudo que você quer caia do céu. Chega de deixar seus problemas pra depois; pra alguém, algum dia, resolver por você.
Chega de querer agradar e acabar se fodendo por isso.
Chega de não encarar as coisas, de fechar os olhos diante do penhasco, de sair correndo quando a manada de rinocerontes se aproxima.
Querida, você é do tamanho do mundo. Nada pode te ferir; nem o sorriso mais bonito, nem o vento mais colorido, nem os olhos mais tristes.
Você é tua dona. Não pertence a mais ninguém. Só a você e aos seus sonhos.
Larga a mão de sentimentalismo. Você é nova; tem a vida inteira pela frente!
Grite um FODA-SE e deixa tudo se foder.
Porque você, Ah! você pode sair ganhando se quiser.

com muito carinho e preocupação.
Alice

sábado, 3 de novembro de 2007

Só uma vez


Saiu para caminhar, observando o arrebol aquecedor que se estendia por toda a longitude do céu, enchendo o peito de sangue efervescente e deixando os olhos razos e mais úmidos que o normal.
Acabara de chover. Existiam poças e um ar limpo que entrava em seus pulmões como música em seus ouvidos. Sentia-se leve, leve como as flores que despencavam lânguidas, derrubadas pelo vento sutil que ia sem deixar sombras, só um tapete amarelo e roxo, colorindo o asfalto que havia recebido fortes gotas insípidas.
Os pés espalhavam água, as mãos procuravam parar o tempo; Trazia olhos em júbilo ao ver todo o mal dissipar-se no horizonte sinuoso.
Sua vida inteira passou como um filme. Lembrou-se de detalhes, outrora esquecidos; De muitas outras pessoas; De como era bom sentir a brisa corta-lhe as maçãs do rosto e a luz da lua penetrar o corpo pelos olhos.
Era uma tarde comum, mas via o mundo de outra forma. Aprendera, mesmo que um tanto quanto tarde demais, que a vida era aquilo, e que aquele pôr-do-sol não se repetiria nunca mais! Era sua única certeza, sua única verdade.
Observou toda a extensão repleta de cores. O pranto orvalhou o semblante inerte, hipnotizado pelo espectro do infindo.
Sentou-se no lugar mais seco que encontrou em meio a todo um mundo molhado. Cruzou as pernas. Respirou fundo e pôs-se a esperar pelo crepúsculo que lhe invadiria a alma como fazia à tarde; que seria belo, mágico, agradável e perfeito por ser ele, por ser todo o resto naquela hora, por ser só uma vez, por ser único.
E então os olhos, já fundos de novo, fecharam-se em imensa paz, e os que encontraram o corpo, já exânime, depararam-se com um rosto mergulhado numa expressão de profunda satisfação.
Amanhecia, as cores voltavam, os pássaros cantavam, mais flores caíam e todo o resto continuava vivendo.



sexta-feira, 2 de novembro de 2007

The view from the afternoon

Anticipation has the habit to set you up
For disappointment in evening entertainment but
Tonight there'll be some love
Tonight there'll be a rawkus yeah
Regardless of what's gone before

And she won't be surprised and she won't be shocked
When she's pressed the star after she's pressed unlock
And there's verse and chapter sat in her inbox
And all that it says is that you've drank a lot

You should bear that in mind tonight, bear that in mind
You should bear that in mind tonight, bear that in mind
You can pour your heart out around 3 o clock
When the 2 for 1's undone the writers block

Arctic Monkeys

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

e depois da tempestade...

Eu gosto dessa cor do Sol depois da chuva. Ele parece tão mais amarelo e ao mesmo tempo mais opaco; tão mais de verdade. E ele não é quente como o normal; E a luz dele não machuca os olhos. E o ar é mais leve.
Depois da tempestade vem a calmaria... e eu só queria que com a paz que a chuva traz também viessem folhas em forma de olhos.


E eu não sei o que dói mais: A saudade ou a cólica?
Preciso do remédio e de uns ossos salientes.

Across the Universe

Words are flying out like endless rain into a paper cup
They slither while they pass, they slip away across the universe
Pools of sorrow waves of joy are drifting thorough my open mind
Possessing and caressing me
Jai guru deva om

Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world

Images of broken light which dance before me like a million eyes
That call me on and on across the universe
Thoughts meander like a restless wind
Inside a letter box they tumble blindly
As they make their way across the universe
Jai guru deva om

Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world

Sounds of laughter shades of earth are ringing
Through my open views inciting and inviting me
Limitless undying love which shines around me like a million suns
It calls me on and on across the universe

The Beatles

pra ficar com água na boca e vontade nos olhos.

domingo, 28 de outubro de 2007


Ultimamente estou muito ansiosa, e me irrito com pouca coisa. A garota que não se importava parece que deixou de existir, assim, de uma hora pra outra.
Não sei se é porque eu resolvi parar de roer unhas ou porque existe muita expectativa em cima de mim.
Cansei desse bando de gente me enchendo o saco, dizendo o que eu tenho ou não tenho que fazer, de quem eu devo gostar, com quem eu devo me relacionar e etc e tal.
Não peço a opinião de ninguém, mas as pessoas gostam de dá-las, assim mesmo, de graça.
Faz tempo que não durmo; meu sono tá totalmente desregulado e os momentos alegres estão cada vez mais escassos. Sempre aparece algo ou alguém pra atrapalhar. Sempre tem alguma coisa que fode com tudo. A esperança de um final de semana bom tá acabando cada vez mais cedo... antes mesmo de chegar o domingo; e isso me mata, me destroi, me desanima.
Me digam: com que força sobreviverei mais uma semana?
Nem eu sei, mas finjo saber... e, por ironia do destino, sobrevivo. Sempre acabo sobrevivendo.